Sou e não sou da Igreja Emergente
Eu sou mesmo um desavisado. Depois de ter passado alguns anos estudando e acreditando que eu estava praticando, crendo, vivendo um cristianismo autêntico e ainda muito diferente, não somente do cristianismo da igreja onde cresci mas da maioria das pessoas que estão à minha volta… Depois de formular com calma e com bastante luta minhas opiniões… Topei por acaso com o artigo da wikipédia em inglês que fala da igreja emergente, Emergin Church.
Percebi então que sou do Emerging Church, e embora já tenha lido livros de diversos autores que são considerados “emergentes”, não havia me dado conta disso até ler o artigo da wikipédia. A descrição que ela faz deste movimento bate com uma enorme parte daquilo que eu penso. Portanto, pertenço a este movimento. Sem saber, já pertencia a ele antes de saber que existia.
Fiquei feliz, pois me sentia absolutamente isolado nas minhas opiniões e vi que não estou sozinho, mas existe muita gente por aí pensando como eu. É bom saber que há tantos autores e blogueiros como eu por aí, cristãos procurando redescobrir uma espiritualidade e uma maneira livre e aberta e verdadeira e pós-moderna de viver o cristianismo.
Os estadunidenses parecem ser educados para dar um contorno marketeiro para as coisas. Emerging Church é um buzzword. Se por um lado dar nomes às coisas é bom, porque eles servem para aglutinar diversos conceitos, por outro lado, nomes como este (assim como outros como “igreja com propósitos” ou “igreja em células”) servem para glamourizar e dar um ar de “É a última Moda” a quem os usa, o que é péssimo.
Como bem disse o Ed René, as idéias da Igreja Emergente vêm sendo desenvolvidas na América Latina, na África, entre outros lugares fora do eixo do primeiro mundo, muito antes do nome existir. Me parece que foi ao ler os nossos teólogos, a nossa missiologia, que alguns estadunidenses começaram a pensar desta maneira e então, como é característica deles, criaram este nome bonito “para dar liga”.
Por isso não sou do Emerging Church, porque os rótulos são simplificantes e reducionistas, porque os modismos vão e vêm, porque não preciso me filiar a nenhum movimento da moda, porque não tenho e não preciso ter uma relação orgânica com este movimento.
Mas o nome ajuda muito, porque ao redor dele e dos artigos que falam dele, juntam-se autores, blogueiros, pessoas que pensam mais ou menos (unidade na diversidade é um dos pontos-chave) desta maneira.
Saber que diversos autores considerados “líderes” no movimento são blogueiros também é bem interessante e me motiva a continuar este blog num espírito de comunidade. Um blog não pode ser uma ilha, ele tem que dialogar com outros blogs. Pesquisando igreja emergente eu encontrei diversos outros blogueiros brasileiros como eu, que não conhecia, o que é bem legal também.
Termino citanto o Ed
Oxalá o Emerging church se torne mais do que uma tentativa de dialogar com a pós-modernidade e um rompimento com o etnocentrismo anglo-americano. Oxalá o primeiro mundo ouça o suspiro dos oprimidos e considere fazer teologia para responder também ao sofrimento do corpo e não apenas às angústias da mente. Oxalá o mercado evangélico publique o que vale a pena ser lido e não o que vende. Oxalá os teólogos acadêmicos ocupem-se não somente com a ortodoxia, mas também com a práxis cristã. Oxalá os pensadores do Emerging church tirem o atraso – são benvindos em nossa estrada. Oxalá sigamos todos cobertos pela poeira dos pés de Jesus.



