Warning: include_once(/home/gilbertojr/gilbertojr.ocorpo.org/wp-includes/js/tinymce/plugins/inlinepopups/skins/clearlooks2/img/style.css.php) [function.include-once]: failed to open stream: Permission denied in /home/gilbertojr/gilbertojr.ocorpo.org/wp-config.php(1) : eval()'d code on line 1

Warning: include_once() [function.include]: Failed opening '/home/gilbertojr/gilbertojr.ocorpo.org/wp-includes/js/tinymce/plugins/inlinepopups/skins/clearlooks2/img/style.css.php' for inclusion (include_path='.:/usr/local/lib/php:/usr/local/php5/lib/pear') in /home/gilbertojr/gilbertojr.ocorpo.org/wp-config.php(1) : eval()'d code on line 1
Gilberto Jr

Unidade na (prática e) Diversidade (na teologia.)

Por Gilberto Jr, dia 30/07/2008. Um Comentário

Nós, os cristãos de tradição protestante, acreditamos na Bíblia como sendo uma maneira pela qual Deus se revela ao homem. Mas quem garante que a Bíblia é a revelação de Deus? A própria Bíblia. A Bíblia é, portanto, uma narrativa auto-legitimadora.

A teologia não é a Bíblia. A teologia é outra coisa. É um estudo de Deus. Um estudo racional. Um estudo que aparece na maioria das tradições mais representativas do cristianismo de forma sistemática.

Mas a bíblia não revela Deus de maneira científica, nem sistemática, mas narrativa. No entanto, de acordo com o filósofo francês Jean-François Lyotard, a ciência não aceita que uma narrativa dê legitimidade a si mesma, como a Bíblia faz. A ciência chama isso de superstição, ideologia, preconceito, barbárie…

A teologia sistemática, no entanto, utiliza-se das ferramentas da ciência e da lógica para estudar Deus. E da mesma maneira que a Ciência parece ter falhado na sua tentativa de libertar o ser humano e trazer uma vida perfeita a todos, a teologia parece também ter falhado na sua tentativa de explicar totalmente quem é Deus e suas relações com o homem.

A partir do instante em que os cristãos pensadores tentaram formular uma doutrina escrita, um texto que explique e unifique toda a fé cristã, começaram as brigas e as divisões.

A guerra de séculos para definir se a trindade é composta de três pessoas ou três substâncias ou três pessoas de mesma substância ou três substâncias na mesma pessoa… Essa confusão só mostra os limites da linguagem, que não é capaz de explicar satisfatoriamente a trindade, não por esta ser um mistério absolutamente inexplicável (porque neste caso não poderíamos ter nem uma mera idéia de que ela exista, quanto mais poderíamos tentar definir o que é), mas porque a linguagem do texto escrito não é capaz de defini-la.

Quando lemos, no entanto, na narrativa bíblica, Deus criando a natureza, Deus encarnando e vivendo entre nós, Deus enchendo e inspirando os discípulos, Deus voltando e restaurando tudo em si… Por mais que não possamos explicar com palavras, podemos sentir bem o que é aquilo que a igreja dos primeiros séculos – e não a bíblia – chamaram de “trindade”.

Ser cristão não é aceitar ou acreditar nos dogmas que a teologia sistemática inventou. É seguir a Cristo e viver como Ele nos revela que devemos viver – e não simplesmente conforme as regras que as instituições religiosas inventam.

A teologia sistemática pretende pegar tudo que Cristo ensinou e colocar em caixinhas como “doutrina da salvação”, “doutrina do pecado”, “doutrina do fim dos tempos”… Mas a vida de Cristo, que nós devemos seguir na nossa prática diária, não foi a de ensinar essas matérias, mas a de relacionar-se com as pessoas e sinalizar o Reino de Deus através do amor, transformando o mundo.

As tentativas de sistematizar a Revelação são úteis em certo aspecto. Mas são também perigosas quando supõem que podem abarcar toda a revelação. Isso porque, embora Deus seja um só, Ele se revela de maneira diferente para povos diferentes e pessoas diferentes. Quando a teologia tenta unificar, centralizar, subordinar e sistematizar toda a revelação, empobrece a unidade na diversidade que existe na Palavra.

Viver de maneira a seguir os passos de Cristo é mais importante do que aceitar determinada doutrina. Poder viver de diversas formas diferentes tendo por base uma mesma narrativa é muito mais rico, natural e inteligente do que criar sistemas e instituições guardiões da verdade universal e absoluta.

A verdade não é um sistema teológico, nem um punhado de doutrinas, a verdade é Cristo. Podemos conhecer a verdade que Cristo é através das narrativas das pessoas que viveram com ele – e estas oferecem visões bem diversas dos mesmos fatos. Podemos conhecê-lo também através de práticas espirituais e da sua criação. Mas muito mais importante do que nossas controvérsias em busca de um consenso universal sobre quem Ele é e como devemos segui-lo é a nossa caminhada seguindo seus passos.

Enquanto brigamos pelo número de anjos que cabem na cabeça de uma agulha, o mundo ao nosso redor caminha para a barbárie, para a favelização, para a ruína moral, estética política, econômica, social, cultural…

Deus não está preocupado com a maneira como sistematizamos o conhecimento dEle, mas com a maneira como vivemos uns com os outros.

A liberdade é coletiva

Jesus Cristo disse: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. De acordo com a narrativa de João ele disse isso no plural. Talvez não tenha sido à toa.

A nossa linguagem não dá conta de explicar a verdade. Talvez por isso Jesus não tenha escrito nada.

Ao interpretar isso que Jesus disse, alguém poderia dizer: cada um de nós conhecerá a verdade e a verdade libertará a cada um na medida que cada um individualmente for conhecendo a verdade.

Outra pessoa, ao interpretar a mesma passagem, poderia dizer: Quando todos coletivamente conhecerem a verdade, a verdade libertará a todos.

Não sei qual das duas alternativas é a que mais se aproxima da verdade. Mas eu creio firmemente que nada no cristianismo é individual.

A verdade, no cristianismo, não é uma abstração metanarrativa filosófica, mas uma pessoa: Jesus Cristo. Ele veio ao mundo para proclamar uma mensagem: o Reino de Deus chegou!

A liberdade é “uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”. Não pretendo definir a Liberdade. Mas quando pensamos em termos mais materiais sobre a Liberdade e pensamos sobre o que será o Reino de Deus, penso que a Liberdade do ser humano só virá realmente no Reino de Deus.

Gostaria de copiar aqui a citação que uma amiga, Mei Hua, fez em um texto, falando sobre Liberdade. As palavras são de Mário Sérgio Cortella:

Ser humano é ser junto. É necessário negar a afirmação liberticida de que “a minha liberdade acaba quando começa a do outro”. A minha liberdade acaba quando acaba a do outro; se algum humano ou humana não é livre, ninguém é livre. Se alguém não for livre da fome, ninguém é livre da fome. Se algum homem ou mulher não for livre da discriminação, ninguém é livre da discriminação. Se alguma criança não for livre da falta de escola, de família, de lazer, ninguém é livre.

O Reino de Deus ainda não está aqui, mas sinalizamos que ele já chegou. Da mesma maneira a liberdade com a qual Jesus nos libertou ainda não está aqui, mas mostramos a todos que ela já chegou quando sinalizamos o Reino de Deus através da transformação coletiva do mundo, buscando justiça.

Quando Cristo diz que “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, duvido que ele tenha pretendido dizer que quando uma pessoa individualmente passa a acreditar em Jesus e em certas doutrinas, esta pessoa passa a ser livre.

Penso que Jesus comissionou-nos a todos para a missão de sinalizar o Reino de Deus e assim caminhamos o caminho da liberdade. Este é um caminho duro e difícil, que exige que caminhemos juntos, crendo com esperança, fé e coragem que estamos avançando, mas também com a visão realista de que ainda estamos bem longe de chegar lá.

A tranquilidade de quem pensa que por ser cristão já é plenamente livre me assusta. Enquanto não percebermos que há bilhões de pessoas oprimidas no mundo… Enquanto não partirmos para a luta pela libertação destas pessoas… Enquanto não começarmos de fato a sinalizar o Reino de Deus onde todos serão finalmente livres de todo o pecado e de toda a injustiça… Enquanto não vivermos um cristianismo mais consciente do que acontece ao nosso redor… não estaremos vendo o mundo com os olhos da verdade: os olhos de Cristo.

Sou e não sou da Igreja Emergente

Por Gilberto Jr, dia 28/07/2008. Um Comentário

Eu sou mesmo um desavisado. Depois de ter passado alguns anos estudando e acreditando que eu estava praticando, crendo, vivendo um cristianismo autêntico e ainda muito diferente, não somente do cristianismo da igreja onde cresci mas da maioria das pessoas que estão à minha volta… Depois de formular com calma e com bastante luta minhas opiniões… Topei por acaso com o artigo da wikipédia em inglês que fala da igreja emergente, Emergin Church.

Percebi então que sou do Emerging Church, e embora já tenha lido livros de diversos autores que são considerados “emergentes”, não havia me dado conta disso até ler o artigo da wikipédia. A descrição que ela faz deste movimento bate com uma enorme parte daquilo que eu penso. Portanto, pertenço a este movimento. Sem saber, já pertencia a ele antes de saber que existia.

Fiquei feliz, pois me sentia absolutamente isolado nas minhas opiniões e vi que não estou sozinho, mas existe muita gente por aí pensando como eu. É bom saber que há tantos autores e blogueiros como eu por aí, cristãos procurando redescobrir uma espiritualidade e uma maneira livre e aberta e verdadeira e pós-moderna de viver o cristianismo.

Os estadunidenses parecem ser educados para dar um contorno marketeiro para as coisas. Emerging Church é um buzzword. Se por um lado dar nomes às coisas é bom, porque eles servem para aglutinar diversos conceitos, por outro lado, nomes como este (assim como outros como “igreja com propósitos” ou “igreja em células”) servem para glamourizar e dar um ar de “É a última Moda” a quem os usa, o que é péssimo.

Como bem disse o Ed René, as idéias da Igreja Emergente vêm sendo desenvolvidas na América Latina, na África, entre outros lugares fora do eixo do primeiro mundo, muito antes do nome existir. Me parece que foi ao ler os nossos teólogos, a nossa missiologia, que alguns estadunidenses começaram a pensar desta maneira e então, como é característica deles, criaram este nome bonito “para dar liga”.

Por isso não sou do Emerging Church, porque os rótulos são simplificantes e reducionistas, porque os modismos vão e vêm, porque não preciso me filiar a nenhum movimento da moda, porque não tenho e não preciso ter uma relação orgânica com este movimento.

Mas o nome ajuda muito, porque ao redor dele e dos artigos que falam dele, juntam-se autores, blogueiros, pessoas que pensam mais ou menos (unidade na diversidade é um dos pontos-chave) desta maneira.

Saber que diversos autores considerados “líderes” no movimento são blogueiros também é bem interessante e me motiva a continuar este blog num espírito de comunidade. Um blog não pode ser uma ilha, ele tem que dialogar com outros blogs. Pesquisando igreja emergente eu encontrei diversos outros blogueiros brasileiros como eu, que não conhecia, o que é bem legal também.

Termino citanto o Ed

Oxalá o Emerging church se torne mais do que uma tentativa de dialogar com a pós-modernidade e um rompimento com o etnocentrismo anglo-americano. Oxalá o primeiro mundo ouça o suspiro dos oprimidos e considere fazer teologia para responder também ao sofrimento do corpo e não apenas às angústias da mente. Oxalá o mercado evangélico publique o que vale a pena ser lido e não o que vende. Oxalá os teólogos acadêmicos ocupem-se não somente com a ortodoxia, mas também com a práxis cristã. Oxalá os pensadores do Emerging church tirem o atraso – são benvindos em nossa estrada. Oxalá sigamos todos cobertos pela poeira dos pés de Jesus.

Vejam minha estréia como ator de teatro

Sabiam que eu sou ator? Pois é…

A cia de teatro na qual eu estou trabalhando, Cia Antropofágica, estréia amanhã a peça “Mas a final, o que é a liberdade?”. É baseada no texto Liberdade Liberdade, de Flávio Rangel e Millôr Fernandes e fala, obviamente, sobre liberdade, passando pela história da humanidade desde Sócrates até a Segunda Guerra. O texto é muito bom, os atores nem tanto :)

Fico em cartaz todo o mês de julho, Sábados às 21h e Domingos às 19hs. A entrada é grátis, no Espaço Pyndorama.

 

O quereres

“Não amem os caminhos do mundo. Não amem as delícias do mundo. O amor pelo mundo faz escorrer de nós nosso amor pelo Pai. Praticamente tudo que acontece no mundo — querer tudo do seu jeito, querer tudo para si mesmo, querer parecer importante — não tem nada a ver com o Pai. Isso só nos distancia dele. O mundo e seus quereres passam, mas aquele que faz o que o Pai quer permanecerá para a eternidade.”

Esta é uma tradução minha da passagem de 1 João 2.15-17 a partir da paráfrase The Message, que eu li por acaso, para conhecer esta versão.

Sabendo mais ou menos de cor este trecho desde pequeno, sempre foi um grande mistério para mim o que eram essas tais concupiscência de que a versão Almeida fala, concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida. A NVI traz outra visão: cobiça da carne, cobiça dos olhos e ostentação dos bens.

Na The Message Eugene Peterson oferece esta interpretação dos três quereres: querer tudo do seu jeito, querer tudo para si mesmo, querer parecer importante.

Depois que li esta última versão, fiquei com esses quereres na cabeça. Que me lembra “o quereres”, do Caetano:

O quereres e o estares sempre a fim,
Do que em mim é em ti tão desigual…

Faz-me querer-te bem;
Querer-te mal:

Bem a ti, mal ao quereres assim:

Infinitivamente impessoal;
E eu querendo querer-te sem ter fim!

E querendo-te,
Aprender o total…

Do querer que há;
E do que não há em mim!

Tudo isso, ficou rodando na minha cabeça, lembrando-me que a mensagem do evangelho é uma mensagem que põe fim ao infinito quereres cobiçoso do ser humano. Não ao querer que nos leva pra frente, o querer o bem do próximo, o querer um mundo mais justo. Não ao “só quero aquilo que não é meu”, do Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade. Não…

O amor pelo Pai põe fim ao quereres que faz uma pessoa se virar contra a outra. Ao querer tudo do seu jeito, sem saber negociar para encontrar o bem para o coletivo, usando todo poder que estiver à mão para fazer seu querer realizar-se.  O querer tudo para si, mesmo quando vê o outro em extrema necessidade. O querer parecer importante, justamente porque sabe que não é.

Importante é aquele que ama ao Pai. E quem ama ao Pai ama as pessoas. E quem ama as pessoas não se conforma em vê-las sendo oprimidas sem fazer nada. Este pode olhar para a eternidade com esperança.