Beleza Desconhecida

Por Gilberto Jr, dia 18/11/2008. 2 Comentários

Uma moça caminhando
Arruma o cabelo, a roupa
Rebola discreta
É bela e sabe
Qualquer um sabe

Beleza default
Beleza imagem
Beleza nenhuma

Fashion-Faccismo
Formas de Platão
De plástico no prato

A beleza desconhecida
No além, como a morte
Não se reconhece bela
Não é reconhecida bela

Quando percebida
Enquanto ando
Causa espanto

É a única beleza possível

Indisponível nos catálogos
Nos supermercados
Nas passarelas.
Elas passam
Invisívelmente

Única beleza:
Desconhecida

Além, como a morte
E quando a conhecemos
Ela morre

Fé é agir sem entender porquê.

Por Gilberto Jr, dia 6/09/2008. Um Comentário

Estava lendo a bíblia, principalmente alguns textos que falam sobre salvação. Muitos deles falam sobre fé e como temos que crer em Jesus para sermos salvos. Eu nunca entendi direito essa coisa de crer para ser salvo. Hoje, depois de estudar a bíblia, especificamente sobre esta assunto durante um tempo, acho que entendi mais um pouco o que é isso.

Eu sou uma pessoa sem fé nenhuma nos líderes. Meus pais e os patrões, professores, pastores, diretores de teatro, lideres de música, etc., que o digam. Como subordinado eu sou questionador. Eu nunca faço algo que me mandem fazer sem perguntar muito porque estou fazendo aquilo.

Eu sempre quero entender exatamente os motivos pelos quais devo fazer o que estão mandando e qual é o efeito esperado daquela ação, qual a estratégia e o contexto envolvidos naquilo, enfim, tudo que puder saber, antes de fazer de fato. Se eu achar que tenho uma idéia melhor, vou argumentar bastante antes de abrir mão desta minha idéia.

Sim, eu passo por insubordinado. Mas no fim, se o líder simplesmente não quer responder todas as minhas dúvidas e simplesmente diz: faça porque eu estou mandando, eu faço. Bem contrariado mas faço.

Eu era mais assim quando mais novo, hoje aprendi um pouco mais a ter fé nos meus líderes. Eu era assim porque não tinha absolutamente nenhuma fé nos meus líderes.

Mas sei que para ser Salvo preciso ter fé em Cristo. Preciso segui-lo mesmo quando não sei onde seu caminho vai dar. Preciso obecedê-lo mesmo quando não entendo porquê. Preciso confiar totalmente nele, de olhos fechados, e fazer o que ele manda.

Assim, fé me parece ser bem diferente de acreditar em alguma coisa. Bem diferente de ter certeza de que alguma coisa que nos contam é verdade. É agir de uma determinada maneira: como Cristo nos guia. Ter fé em Cristo é confiar que seu caminho conduz a Deus e à experiência da Vida Eterna, e topar todos os desafios e sofrimentos que ele nos propõe, mesmo quando não parecem ser a melhor decisão, a melhor coisa a fazer, simplesmente por Fé.

Agora, saber o que é seguir a Jesus, quais sao seus mandamentos no nosso dia a dia, o que fazer para segui-lo em cada decisão, em cada momento, são outros quinhentos. O melhor é que, na medida que vamos seguindo a Cristo, vamos entendendo o caminho. Não podemos tentar entender primeiro para depois obedecer, justamente porque muitas vezes só entendemos depois de obedecermos.

Minha oração é para que o Espírito Santo me ajude, e ajude a cada um de vocês a crer em Jesus Cristo cada vez mais.

“Eu acredito na Veja”

Esta postagem é um comentário à postagem de hoje de Luis Nassif chamada “A razão e a fé na CBN”. Ele diz:

Curioso o diálogo entre Carlos Heitor Cony e o Artur Xexéo, mediado pelo Heródoto, na CBN. Heródoto levanta o tema da escuta “da ABIN”.

Cony diz que não existe nenhum indício mais concreto de que foi a ABIN, que poderia ser o próprio Daniel Dantas, que não há nenhuma prova taxativa sobre a autoria do grampo.

Xexéo diz que foi a ABIN porque ele “acredita na Veja” e jamais a revista soltaria uma matéria dessas sem ter certeza. Cony levanta o exercício salutar da dúvida. E Xexéo o exercício sólido da fé.

Não é somente Deus e as entidades religiosas e espirituais das mais diversas ordens que são objeto de Fé. Na nossa sociedade secularizada, e por causa da ideologia dominante, a fé das pessoas torna-se para entidades menores, bem menores, como a revista Veja ou a rede Globo ou a Folha ou o Estadão.

Estes publicadores de notícias têm “credibilidade”. Uma mídia que tem credibilidade é uma mídia que se faz crer, que reúne em torno de si uma multidão de crentes. E isso é um poder maior do que estas empresas deveriam ter.

Por mais que haja aqueles que denunciem as mentiras e as falsidades, ou ainda a omissão e a parcialidade que acontecem na mídia todos os dias, as pessoas não dão atenção a estes profetas, nem lêem a pequena seção “erramos”. Preferem crer: se é a revista Veja que está dizendo, então é verdade.

Será que estas mídias não escolhem o que querem noticiar, o que é e o que não é notícia, e qual tratamento darão à notícia, de acordo com seus interesses empresariais? Será que essa mídia não manipula a classe média, fazendo dessas pessoas gados humanos?

Porque tenho fé, duvido.

A benção e a maldição da Cruz

Por Gilberto Jr, dia 3/09/2008. 10 Comentários

Quando eu era adolescente eu usava um colar com uma pequena cruz de metal como pingente. Eu sempre gostei de carregar coisas físicas que me lembrassem de olhar para Deus. Nesta época, seguindo a tradição evangélica de não gostar de nenhum tipo de imagem ou símbolo, principalmente os que lembram a igreja católica, alguns amigos achavam muito estranho eu usar aquilo - o que era mais um motivo para eu usar - diziam que é um sinal de maldição.

É verdade, a Bíblia declara que aquele que é pendurado numa cruz é maldito. Mas a Bíblia também declara que a cruz é uma benção, pois foi através da morte de Jesus na Cruz que somos justificados.

Cristo ordenou que aquele que quiser segui-lo deve tomar sobre si sua cruz. O que ele quer dizer? Esta cruz é benção ou maldição? As duas coisas.

É maldição, porque na época em que Cristo vivia, todo aquele que carregasse uma cruz sobre si era alguém sem honra, um marginal, alguém que não vale nada. Quando seguimos a Cristo, nossos valores e nossos princípios tornam-se diferentes, então somos vistos como malditos.

Somos vistos pelo mundo como malditos quando deixamos de ganhar mais dinheiro com aquele jeitinho… Quando deixamos de tirar proveito em determinadas situações…

Mas a cruz também é benção porque o Sangue de Cristo vertido na Cruz nos purifica de todo o pecado. É olhando para a cruz todos os dias, e carregando sobre si nossa própria cruz, que podemos suportar continuar convivendo com a nossa natureza pecaminosa.

Jesus não disse somente para carregarmos a cruz, mas para negarmos a nós mesmos. Essa é a imagem da cruz: a negação de si mesmo, enquanto o mundo afirma que nada é mais importante do que “a si mesmo”. “Se eu sou feliz assim, não há nada de errado nisso”, dizem.

Mas Cristo vai além, através do imperativo do Amor, ao seguirmos a Cristo negamo-nos a nós mesmos e afirmamos o outro. Deixamos de buscar a nossa felicidade em primeiro lugar e buscamos a felicidade do próximo. Assim, quando encontramos o outro, reencontramos a nós mesmos de outra maneira, de uma maneira mais profunda e encontramos a Deus.

No “mundo” o eu é afirmado. Na cruz o eu é negado. No amor acontece a síntese, a negação da negação. Desta maneira, eu reencontro o sentido da minha vida ao buscar o melhor para a vida do próximo, reencontro a minha felicidade ao procurar a felicidade para o outro. Quem quiser salvar sua vida, vai perdê-la, e quem quiser perder sua vida vai salvá-la.

Cristo nos trouxe a salvação. Ele não nos salvará somente no futuro, depois da nossa morte, Ele já nos salvou! Quando seguimos a Cristo, a cruz é uma realidade no dia-a-dia. É porque estamos salvos que podemos levar benção para o mundo que nos vê como malditos.

Quando adolescente, eu não me importava que meus amigos disessem que eu estava errado por carregar uma cruz de metal no peito… Hoje eu não me importo de carregar a minha cruz e seguir a Cristo, haja o que houver.

Além disso, negar a mim mesmo, carregar a minha cruz e seguir a Cristo significa estar ao lado daqueles que neste mundo são malditos, excluídos, marginalizados, oprimidos, e lutar pela sua libertação.

Carregar uma cruz no peito era muito fácil. Carregar a Cruz do evangelho integral de Cristo para onde quer que eu vá é muito mais difícil.

Ser importante não é importante

Por Gilberto Jr, dia 25/08/2008. 2 Comentários

Seja na minha profissão, no teatro ou na música, seja como escritor e até mesmo quando estou com meus amigos mais íntimos, às vezes eu me pego falando ou agindo como se fosse alguém importante, querendo parecer importante. Eu já fui bem pior nisso, acho que, com a graça de Deus, estou melhorando. Tenho certeza de que você já se pegou fazendo (ou deixando de fazer) algo só para parecer importante.

Nós vivemos numa sociedade que vive numa competição doentia. É como se estivéssemos em olimpíadas permanentes: num ambiente no qual todo mundo precisa ser melhor do que todos, sempre. Todo mundo sente-se obrigado a ganhar o ouro ou amargar na tristeza da derrota.

Para seguir a Jesus Cristo é preciso olhar para ele. Quão bem-aventurados foram aqueles que puderam vê-lo em carne e osso aqui na terra! Nós não podemos fazer isso, mas podemos ler o que aqueles que o viram e tocaram narraram sobre o Cristo.

Todos esperavam do Messias um rei conquistador, que trouxesse a vingança de Deus sobre todos os povos. Esperavam um homem poderoso e cheio de majestade e glória. Todos esperavam que o Messias fosse alguém muito importante. Mas para a decepção de muitos, ele não veio assim.

Em sua carta aos filipenses, Paulo diz que Cristo “embora existindo na forma de Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a forma de escravo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz! Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai”.

Não podemos ver a Cristo, mas podemos imaginá-lo. Ele não parecia ser alguém importante. Não havia uma aureola brilhante sobre sua cabeça. Ele não se vestia de maneira diferente dos seus discípulos e do povo ao seu redor. Ele parecia-se com um servo; com alguém que veio de uma vilinha minúscula na periferia, de um lugar de onde não se espera que venha nada importante.

Às vezes nós temos a impressão de que se formos importantes todo mundo vai gostar da gente. Mas as pessoas não amam pessoas importantes, as pessoas invejam ou idolatram pessoas importantes.

Ser importante não é importante. Parece um clichêzão dos mais batidos, mas o importante é amar as pessoas. Se seguimos a Cristo, que viveu entre os homens simples como um homem simples, devemos buscar viver como ele. E assim como ele fez, devemos estar ao lado daqueles que não são importantes e lutar ao lado deles.

Nosso motivo para trabalhar, não pode ser para construir uma carreira de sucesso e nos tornarmos pessoas importantes, invejadas e idolatradas. Nosso motivo para acordar todas as manhãs e trabalhar é ajudar as pessoas, ajudar a construir um mundo melhor, lutar por aqueles que sofrem, viver como Cristo viveu.