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	<title>Gilberto Jr</title>
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	<description>Música, Literatura e Espiritualidade</description>
	<pubDate>Mon, 25 Aug 2008 16:21:43 +0000</pubDate>
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		<title>Ser importante não é importante</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Aug 2008 16:21:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilberto Jr</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Seja na minha profissão, no teatro ou na música, seja como escritor e até mesmo quando estou com meus amigos mais íntimos, às vezes eu me pego falando ou agindo como se fosse alguém importante, querendo parecer importante. Eu já fui bem pior nisso, acho que, com a graça de Deus, estou melhorando. Tenho certeza [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Seja na minha profissão, no teatro ou na música, seja como escritor e até mesmo quando estou com meus amigos mais íntimos, às vezes eu me pego falando ou agindo como se fosse alguém importante, querendo parecer importante. Eu já fui bem pior nisso, acho que, com a graça de Deus, estou melhorando. Tenho certeza de que você já se pegou fazendo (ou deixando de fazer) algo só para parecer importante.</p>
<p>Nós vivemos numa sociedade que vive numa competição doentia. É como se estivéssemos em olimpíadas permanentes: num ambiente no qual todo mundo precisa ser melhor do que todos, sempre. Todo mundo sente-se obrigado a ganhar o ouro ou amargar na tristeza da derrota.</p>
<p>Para seguir a Jesus Cristo é preciso olhar para ele. Quão bem-aventurados foram aqueles que puderam vê-lo em carne e osso aqui na terra! Nós não podemos fazer isso, mas podemos ler o que aqueles que o viram e tocaram narraram sobre o Cristo.</p>
<p>Todos esperavam do Messias um rei conquistador, que trouxesse a vingança de Deus sobre todos os povos. Esperavam um homem poderoso e cheio de majestade e glória. Todos esperavam que o Messias fosse alguém muito importante. Mas para a decepção de muitos, ele não veio assim.</p>
<p>Em sua carta aos filipenses, Paulo diz que Cristo &#8220;embora existindo na forma de Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a forma de escravo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz! Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai&#8221;.</p>
<p>Não podemos ver a Cristo, mas podemos imaginá-lo. Ele não parecia ser alguém importante. Não havia uma aureola brilhante sobre sua cabeça. Ele não se vestia de maneira diferente dos seus discípulos e do povo ao seu redor. Ele parecia-se com um servo; com alguém que veio de uma vilinha minúscula na periferia, de um lugar de onde não se espera que venha nada importante.</p>
<p>Às vezes nós temos a impressão de que se formos importantes todo mundo vai gostar da gente. Mas as pessoas não amam pessoas importantes, as pessoas invejam ou idolatram pessoas importantes.</p>
<p>Ser importante não é importante. Parece um clichêzão dos mais batidos, mas o importante é amar as pessoas. Se seguimos a Cristo, que viveu entre os homens simples como um homem simples, devemos buscar viver como ele. E assim como ele fez, devemos estar ao lado daqueles que não são importantes e lutar ao lado deles.</p>
<p>Nosso motivo para trabalhar, não pode ser para construir uma carreira de sucesso e nos tornarmos pessoas importantes, invejadas e idolatradas. Nosso motivo para acordar todas as manhãs e trabalhar é ajudar as pessoas, ajudar a construir um mundo melhor, lutar por aqueles que sofrem, viver como Cristo viveu.</p>
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		<title>Trabalhador</title>
		<link>http://gilbertojr.ocorpo.org/2008/08/22/trabalhador/</link>
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		<pubDate>Fri, 22 Aug 2008 18:40:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilberto Jr</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[Sermão]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem no começo do dia eu tinha muito trabalho atrasado. Eu fiz uma enorme lista de tarefas, olhei para a lista e disse a mim mesmo: eu vou fazer isso tudo hoje. Bem, eu não consegui fazer aquilo tudo, mas depois de umas 20 horas de trabalho, fiz o suficiente para garantir que foi um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem no começo do dia eu tinha muito trabalho atrasado. Eu fiz uma enorme lista de tarefas, olhei para a lista e disse a mim mesmo: eu vou fazer isso tudo hoje. Bem, eu não consegui fazer aquilo tudo, mas depois de umas 20 horas de trabalho, fiz o suficiente para garantir que foi um dos dias mais produtivos em muitas semanas.</p>
<p>Eu trabalho em casa e faço meu horário, são benefícios que eu gosto muito, mas tenho muitos amigos que acordam cedo todos os dias e trabalham até certo horário. As vezes eu me pergunto: porque eu faço isso? Tenho certeza de que assim como eu você já sentiu que sua vida era vazia, que acordar cedo todos os dias e trabalhar arduamente não fazia sentido nenhum.</p>
<p>Na Bíblia, o livro dos Salmos é um livro de poemas judeus. Um deles, o 127, foi escrito por Salomão, filho de Davi, o terceiro rei de Israel. A bíblia o descreve como um homem que tinha sabedoria, poder e riqueza como nenhum outro em sua época.</p>
<p>Neste Salmo, Salomão reflete uma angústia que é também a nossa: &#8220;Se não for o Senhor o construtor da casa, será inútil trabalhar na construção. Se não é o Senhor que vigia a cidade, será inútil a sentinela montar guarda. Será inútil levantar cedo e dormir tarde, trabalhando arduamente por alimento&#8221;.</p>
<p>Eu não acredito que Salomão esteja dizendo que não adianta construir casas, melhor é esperar que Deus construa, ou que não adiantar vigiar a cidade, melhor deixa-la sem vigia e esperar que Deus a vigie.</p>
<p>No mundo dos homens, Deus escolheu agir através dos homens. Quando estamos seguindo a Cristo, é Deus que faz o trabalho através de nós. Acordar todos os dias passa a fazer sentido. Seguir a Cristo não é somente ir à igreja ou realizar trabalhos eclesiásticos, todo trabalho que fazemos, absolutamente tudo, devemos fazer seguindo a Cristo.</p>
<p>Meu irmão é recepcionista em um posto de saúde. Quando ele atende bem a um paciente, ele está seguindo a Cristo, ele está ajudando as pessoas. Deus é que está atendendo, construindo, vigiando, através de nós. Deus quer ser o &#8220;peão&#8221; em nós.</p>
<p>Mas Salomão diz também outra coisa. Em Eclesiastes 4, falando essencialmente sobre trabalho e as recompensas do trabalho, ele diz: &#8220;Vi as lágrimas dos oprimidos, mas não há quem os console; o poder está do lado dos seus opressores, e não há quem os console. Por isso considerei os mortos mais felizes do que os vivos, pois estes ainda têm que viver!&#8221;</p>
<p>Milhões de pessoas não podem ter alegria nenhuma em seu trabalho, pois depois de passar o mês todo acordando de madrugada e trabalhando arduamente, o dinheiro que recebem mal dá para comer. Todos os meses o custo da comida e das coisas sobe, mas seu salário não. O risco de ficar desempregado é constante, e muitos dos seus amigos não têm trabalho, de modo que, mesmo vivendo em condições muito precárias, ele se vê obrigado a dar graças a Deus pela vida miserável que tem, porque mal e mal pode dar o leite para os filhos.</p>
<p>No mundo dos homens, Deus escolheu agir através dos homens. Precisamos ir além do nosso trabalho do dia a dia e lutar por um mínimo de dignidade para todos os homens: trabalho e salário dignos para todos.</p>
<p>Nosso Deus é um Deus que quer construir casas e vigiar cidades através de nós, mas ele não pára por aí: ele também quer liberdar os oprimidos.</p>
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		<title>Barro</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Aug 2008 18:50:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilberto Jr</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>

		<category><![CDATA[Sermão]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando eu estudei para ser designer, freqüentava aulas de todo tipo de técnica artística. Uma delas foi escultura. Me lembro particularmente de quando aprendemos a modelar argila. A brincadeira era escolher uma concha e fazer uma igual, de barro.
Quando tiramos a argila do saco na qual ela vem quando compramos, ela está úmida, mas meio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando eu estudei para ser designer, freqüentava aulas de todo tipo de técnica artística. Uma delas foi escultura. Me lembro particularmente de quando aprendemos a modelar argila. A brincadeira era escolher uma concha e fazer uma igual, de barro.</p>
<p>Quando tiramos a argila do saco na qual ela vem quando compramos, ela está úmida, mas meio dura. É preciso um pouco de trabalho, amassar com água, para amacia-la e deixa-la no ponto para modelar.</p>
<p>Na época dos profetas já existiam técnicas para modelar o barro. Em Isaías 64.8, lemos o povo de Israel clamando: “Contudo, Senhor, tu és o nosso Pai. Nós somos o barro; tudo és o oleiro. Todos nós somos obra das tuas mãos.”</p>
<p>A preocupação do povo neste momento era com seus pecados constantes, e o sentimento de que não podiam ser perfeitos: v.5 “Vens ajudar aqueles que praticam a justiça com alegria, que se lembram de ti e dos teus caminhos. Mas, prosseguindo nós em nossos pecados, tu te iraste. Como, então, seremos salvos?”</p>
<p>A angústia do povo de Israel é a nossa angústia: a nossa natureza pecaminosa, nossa limitação humana, nos mostra o tempo todo que não somos perfeitos. E algo dentro de nós diz que devemos ser perfeitos.</p>
<p>No entanto, é preciso pensar o que é perfeição. Na lógica formal dos gregos, a perfeição é uma condição estática. Algo perfeito não pode mudar, porque se muda para melhor não era perfeito, se muda para pior deixa de ser perfeito. Na cultura grega ser perfeito é não ter nenhum defeito, mas a Bíblia oferece outra visão de perfeição. Na cultura semita, ser perfeito é ser igual a Deus, e Deus é amor.</p>
<p>O profeta Jeremias também teve sua experiência com o barro, como podemos ler em Jeremias 18: “Fui à casa do oleiro, e o vi trabalhando com a roda. Mas o vaso de barro que ele estava formando estragou-se em suas mãos; e ele o refez, moldando outro vaso de acordo com a sua vontade.”</p>
<p>Realmente, na minha experiência escolar com a modelagem de argila, vi que modelar o barro para fazer dele o que queremos não é fácil, a concha que eu fiz ficou bem esquisita, mas é preciso sempre molhar as mãos, continuar mexendo no barro, mantê-lo úmido, porque depois que ele seca, não há mais nada a fazer. No entanto, enquanto ele está maleável basta um toque&#8230; O menor toque é suficiente para mudar sua forma.</p>
<p>A busca por uma perfeição sem defeitos pode conduzir a uma vida seca, estática, que não muda. Mas a perfeição cristã é criativa e dinâmica. É seguir a Cristo deixando-nos tocar por ele, deixando-nos tocar pelo seu amor. Deixando-nos tocar pelas pessoas ao nosso redor, pelas pessoas que vemos na rua, pelas críticas dos nossos familiares, pelos conselhos dos nossos amigos, pelas pessoas que precisam de ajuda, pelos que sofrem.</p>
<p>Precisamos deixar-nos tocar pelo toque interior do Espírito Santo, que nos conduz a seguir a Cristo. Precisamos aprender que não podemos ser perfeitos, mas podemos nos deixar tocar, podemos amar as pessoas.</p>
<p>Então poderemos ouvir o que o Pai tem a nos dizer, o que Ele diz em Jeremias 18.6: “Como barro nas mãos do oleiro, assim são vocês nas minhas mãos”</p>
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		<title>Deus dá sentido para a sua história</title>
		<link>http://gilbertojr.ocorpo.org/2008/08/12/deus-da-sentido-para-a-sua-historia/</link>
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		<pubDate>Wed, 13 Aug 2008 00:35:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilberto Jr</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[Sermão]]></category>

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		<description><![CDATA[O capítulo 4 do evangelho de João narra uma conversa entre Jesus e uma mulher samaritana. Era meio dia, Jesus estava passando por Samaria, no meio de uma longa caminhada entre a Judéia e a Galiéia. Parou no poço de Jacó, na cidade de Sicar. Ele tinha sede e pediu água à mulher.
A resposta da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O capítulo 4 do evangelho de João narra uma conversa entre Jesus e uma mulher samaritana. Era meio dia, Jesus estava passando por Samaria, no meio de uma longa caminhada entre a Judéia e a Galiéia. Parou no poço de Jacó, na cidade de Sicar. Ele tinha sede e pediu água à mulher.</p>
<p>A resposta da mulher ao pedido de Jesus não foi fazer imediatamente o que ele pediu. Sua resposta foi contar sua história. Não da maneira como aprendemos da escola que se conta uma história, com começo meio e fim, com acontecimentos encadeados, mas em uma expressão curta: “Como o senhor sendo judeu pede água a mim, uma samaritana?”</p>
<p>Assim ela contou a história de uma mulher que vivia numa sociedade machista e preconceituosa. O versículo 9 diz, literalmente, que “os judeus não usam pratos que os samaritanos usaram”.</p>
<p>Ela contava sua história. A história de uma mulher que viveu muitas dificuldades, tendo tido vários maridos diferentes possivelmente por ter sido rejeitada e abandonada por eles, tendo sentido na pele muitas vezes o nojo que os judeus sentiam pelos samaritanos, e ainda mais por ela, sendo mulher.</p>
<p>Deus conhece a nossa vida melhor do que nós mesmos. Mas quando contamos a Ele a nossa história, ele dá sentido a ela. Ele dá significado e direção à nossa história.</p>
<p>Jesus mostrou à mulher que embora ela fosse uma <em>coisa</em> sem valor para os judeus, era ali uma mulher a quem o próprio Messias estava pronto a servir com a água da vida. Mostrou que, embora não conhecesse a Deus como os judeus, ela estava apta a adora-lo em espírito e em verdade.</p>
<p>Sua história não mudou, mas ganhou outro significado e sua vida tomou outro rumo.</p>
<p>Quando eu conto a Deus as minhas muitas histórias, o que tenho passado nas mais diversas circunstâncias da minha vida, nem sempre ele resolve o problema com uma mágica, mas sempre faz o milagre de dar sentido à minha vida.</p>
<p>Aprendi que orar não é pedir coisas a Deus, mas é contar a Ele a minha história e esperar que Ele responda, mudando aquilo que eu penso e aquilo que eu sinto sobre ela, e dando direção para prosseguir.</p>
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		<title>Unidade na (prática e) Diversidade (na teologia.)</title>
		<link>http://gilbertojr.ocorpo.org/2008/07/30/unidade-na-pratica-e-diversidade-na-teologia/</link>
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		<pubDate>Wed, 30 Jul 2008 06:33:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilberto Jr</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>

		<category><![CDATA[Teologia]]></category>

		<category><![CDATA[igreja emergente]]></category>

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		<description><![CDATA[Nós, os cristãos de tradição protestante, acreditamos na Bíblia como sendo uma maneira pela qual Deus se revela ao homem. Mas quem garante que a Bíblia é a revelação de Deus? A própria Bíblia. A Bíblia é, portanto, uma narrativa auto-legitimadora.
A teologia não é a Bíblia. A teologia é outra coisa. É um estudo de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nós, os cristãos de tradição protestante, acreditamos na Bíblia como sendo uma maneira pela qual Deus se revela ao homem. Mas quem garante que a Bíblia é a revelação de Deus? A própria Bíblia. A Bíblia é, portanto, uma narrativa auto-legitimadora.</p>
<p>A teologia não é a Bíblia. A teologia é outra coisa. É um estudo de Deus. Um estudo racional. Um estudo que aparece na maioria das tradições mais representativas do cristianismo de forma sistemática.</p>
<p>Mas a bíblia não revela Deus de maneira científica, nem sistemática, mas narrativa. No entanto, de acordo com o filósofo francês Jean-François Lyotard, a ciência não aceita que uma narrativa dê legitimidade a si mesma, como a Bíblia faz. A ciência chama isso de superstição, ideologia, preconceito, barbárie&#8230;</p>
<p>A teologia sistemática, no entanto, utiliza-se das ferramentas da ciência e da lógica para estudar Deus. E da mesma maneira que a Ciência parece ter falhado na sua tentativa de libertar o ser humano e trazer uma vida perfeita a todos, a teologia parece também ter falhado na sua tentativa de explicar totalmente quem é Deus e suas relações com o homem.</p>
<p>A partir do instante em que os cristãos pensadores tentaram formular uma doutrina escrita, um texto que explique e unifique toda a fé cristã, começaram as brigas e as divisões.</p>
<p>A guerra de séculos para definir se a trindade é composta de três pessoas ou três substâncias ou três pessoas de mesma substância ou três substâncias na mesma pessoa&#8230; Essa confusão só mostra os limites da linguagem, que não é capaz de explicar satisfatoriamente a trindade, não por esta ser um mistério absolutamente inexplicável (porque neste caso não poderíamos ter nem uma mera idéia de que ela exista, quanto mais poderíamos tentar definir o que é), mas porque a linguagem do texto escrito não é capaz de defini-la.</p>
<p>Quando lemos, no entanto, na narrativa bíblica, Deus criando a natureza, Deus encarnando e vivendo entre nós, Deus enchendo e inspirando os discípulos, Deus voltando e restaurando tudo em si&#8230; Por mais que não possamos explicar com palavras, podemos sentir bem o que é aquilo que a igreja dos primeiros séculos - e não a bíblia - chamaram de “trindade”.</p>
<p>Ser cristão não é aceitar ou acreditar nos dogmas que a teologia sistemática inventou. É seguir a Cristo e viver como Ele nos revela que devemos viver - e não simplesmente conforme as regras que as instituições religiosas inventam.</p>
<p>A teologia sistemática pretende pegar tudo que Cristo ensinou e colocar em caixinhas como “doutrina da salvação”, “doutrina do pecado”, “doutrina do fim dos tempos”&#8230; Mas a vida de Cristo, que nós devemos seguir na nossa prática diária, não foi a de ensinar essas matérias, mas a de relacionar-se com as pessoas e sinalizar o Reino de Deus através do amor, transformando o mundo.</p>
<p>As tentativas de sistematizar a Revelação são úteis em certo aspecto. Mas são também perigosas quando supõem que podem abarcar toda a revelação. Isso porque, embora Deus seja um só, Ele se revela de maneira diferente para povos diferentes e pessoas diferentes. Quando a teologia tenta unificar, centralizar, subordinar e sistematizar toda a revelação, empobrece a unidade na diversidade que existe na Palavra.</p>
<p>Viver de maneira a seguir os passos de Cristo é mais importante do que aceitar determinada doutrina. Poder viver de diversas formas diferentes tendo por base uma mesma narrativa é muito mais rico, natural e inteligente do que criar sistemas e instituições guardiões da verdade universal e absoluta.</p>
<p>A verdade não é um sistema teológico, nem um punhado de doutrinas, a verdade é Cristo. Podemos conhecer a verdade que Cristo é através das narrativas das pessoas que viveram com ele - e estas oferecem visões bem diversas dos mesmos fatos. Podemos conhecê-lo também através de práticas espirituais e da sua criação. Mas muito mais importante do que nossas controvérsias em busca de um consenso universal sobre quem Ele é e como devemos segui-lo é a nossa caminhada seguindo seus passos.</p>
<p>Enquanto brigamos pelo número de anjos que cabem na cabeça de uma agulha, o mundo ao nosso redor caminha para a barbárie, para a favelização, para a ruína moral, estética política, econômica, social, cultural&#8230;</p>
<p>Deus não está preocupado com a maneira como sistematizamos o conhecimento dEle, mas com a maneira como vivemos uns com os outros.</p>
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		<title>A liberdade é coletiva</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jul 2008 06:26:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilberto Jr</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>

		<category><![CDATA[missão integral]]></category>

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		<description><![CDATA[Jesus Cristo disse: &#8220;E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará&#8221;. De acordo com a narrativa de João ele disse isso no plural. Talvez não tenha sido à toa.
A nossa linguagem não dá conta de explicar a verdade. Talvez por isso Jesus não tenha escrito nada.
Ao interpretar isso que Jesus disse, alguém poderia dizer: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jesus Cristo disse: &#8220;E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará&#8221;. De acordo com a narrativa de João ele disse isso no plural. Talvez não tenha sido à toa.</p>
<p>A nossa linguagem não dá conta de explicar a verdade. Talvez por isso Jesus não tenha escrito nada.</p>
<p>Ao interpretar isso que Jesus disse, alguém poderia dizer: cada um de nós conhecerá a verdade e a verdade libertará a cada um na medida que cada um individualmente for conhecendo a verdade.</p>
<p>Outra pessoa, ao interpretar a mesma passagem, poderia dizer: Quando todos coletivamente conhecerem a verdade, a verdade libertará a todos.</p>
<p>Não sei qual das duas alternativas é a que mais se aproxima da verdade. Mas eu creio firmemente que nada no cristianismo é individual.</p>
<p>A verdade, no cristianismo, não é uma abstração metanarrativa filosófica, mas uma pessoa: Jesus Cristo. Ele veio ao mundo para proclamar uma mensagem: o Reino de Deus chegou!</p>
<p>A liberdade é &#8220;uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda&#8221;. Não pretendo definir a Liberdade. Mas quando pensamos em termos mais materiais sobre a Liberdade e pensamos sobre o que será o Reino de Deus, penso que a Liberdade do ser humano só virá realmente no Reino de Deus.</p>
<p>Gostaria de copiar aqui a citação que uma amiga, Mei Hua, fez em um texto, falando sobre Liberdade. As palavras são de Mário Sérgio Cortella:</p>
<blockquote><p>Ser humano é ser junto. É necessário negar a afirmação liberticida de que “a minha liberdade acaba quando começa a do outro”. A minha liberdade acaba quando acaba a do outro; se algum humano ou humana não é livre, ninguém é livre. Se alguém não for livre da fome, ninguém é livre da fome. Se algum homem ou mulher não for livre da discriminação, ninguém é livre da discriminação. Se alguma criança não for livre da falta de escola, de família, de lazer, ninguém é livre.</p></blockquote>
<p>O Reino de Deus ainda não está aqui, mas sinalizamos que ele já chegou. Da mesma maneira a liberdade com a qual Jesus nos libertou ainda não está aqui, mas mostramos a todos que ela já chegou quando sinalizamos o Reino de Deus através da transformação coletiva do mundo, buscando justiça.</p>
<p>Quando Cristo diz que  &#8220;conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará&#8221;, duvido que ele tenha pretendido dizer que quando uma pessoa individualmente passa a acreditar em Jesus e em certas doutrinas, esta pessoa passa a ser livre.</p>
<p>Penso que Jesus comissionou-nos a todos para a missão de sinalizar o Reino de Deus e assim caminhamos o caminho da liberdade. Este é um caminho duro e difícil, que exige que caminhemos juntos, crendo com esperança, fé e coragem que estamos avançando, mas também com a visão realista de que ainda estamos bem longe de chegar lá.</p>
<p>A tranquilidade de quem pensa que por ser cristão já é plenamente livre me assusta. Enquanto não percebermos que há bilhões de pessoas oprimidas no mundo&#8230; Enquanto não partirmos para a luta pela libertação destas pessoas&#8230; Enquanto não começarmos de fato a sinalizar o Reino de Deus onde todos serão finalmente livres de todo o pecado e de toda a injustiça&#8230; Enquanto não vivermos um cristianismo mais consciente do que acontece ao nosso redor&#8230; não estaremos vendo o mundo com os olhos da verdade: os olhos de Cristo.</p>
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		<item>
		<title>Sou e não sou da Igreja Emergente</title>
		<link>http://gilbertojr.ocorpo.org/2008/07/28/sou-e-nao-sou-da-igreja-emergente/</link>
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		<pubDate>Mon, 28 Jul 2008 17:51:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilberto Jr</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>

		<category><![CDATA[igreja emergente]]></category>

		<category><![CDATA[missão integral]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu sou mesmo um desavisado. Depois de ter passado alguns anos estudando e acreditando que eu estava praticando, crendo, vivendo um cristianismo autêntico e ainda muito diferente, não somente do cristianismo da igreja onde cresci mas da maioria das pessoas que estão à minha volta&#8230; Depois de formular com calma e com bastante luta minhas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu sou mesmo um desavisado. Depois de ter passado alguns anos estudando e acreditando que eu estava praticando, crendo, vivendo um cristianismo autêntico e ainda muito diferente, não somente do cristianismo da igreja onde cresci mas da maioria das pessoas que estão à minha volta&#8230; Depois de formular com calma e com bastante luta minhas opiniões&#8230; Topei por acaso com o artigo da wikipédia em inglês que fala da igreja emergente, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Emerging_church">Emergin Church</a>.</p>
<p>Percebi então que <strong>sou do Emerging Church</strong>, e embora já tenha lido livros de diversos autores que são considerados &#8220;emergentes&#8221;, não havia me dado conta disso até ler o artigo da wikipédia. A descrição que ela faz deste movimento bate com uma enorme parte daquilo que eu penso. Portanto, pertenço a este movimento. Sem saber, já pertencia a ele antes de saber que existia.</p>
<p>Fiquei feliz, pois me sentia absolutamente isolado nas minhas opiniões e vi que não estou sozinho, mas existe muita gente por aí pensando como eu. É bom saber que há tantos autores e blogueiros como eu por aí, cristãos procurando redescobrir uma espiritualidade e uma maneira livre e aberta e verdadeira e pós-moderna de viver o cristianismo.</p>
<p>Os estadunidenses parecem ser educados para dar um contorno marketeiro para as coisas. Emerging Church é um buzzword. Se por um lado dar nomes às coisas é bom, porque eles servem para aglutinar diversos conceitos, por outro lado, nomes como este (assim como outros como &#8220;igreja com propósitos&#8221; ou &#8220;igreja em células&#8221;) servem para glamourizar e dar um ar de &#8220;É a última Moda&#8221; a quem os usa, o que é péssimo.</p>
<p>Como bem <a href="http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/06/emerging-church.html">disse o Ed René</a>, as idéias da Igreja Emergente vêm sendo desenvolvidas na América Latina, na África, entre outros lugares fora do eixo do primeiro mundo, muito antes do nome existir. Me parece que foi ao ler os nossos teólogos, a nossa missiologia, que alguns estadunidenses começaram a pensar desta maneira e então, como é característica deles, criaram este nome bonito &#8220;para dar liga&#8221;.</p>
<p>Por isso <strong>não sou do Emerging Church</strong>, porque os rótulos são simplificantes e reducionistas, porque os modismos vão e vêm, porque não preciso me filiar a nenhum movimento da moda, porque não tenho e não preciso ter uma relação orgânica com este movimento.</p>
<p>Mas o nome ajuda muito, porque ao redor dele e dos artigos que falam dele, juntam-se autores, blogueiros, pessoas que pensam mais ou menos (unidade na diversidade é um dos pontos-chave) desta maneira.</p>
<p>Saber que diversos autores considerados &#8220;líderes&#8221; no movimento são blogueiros também é bem interessante e me motiva a continuar este blog num espírito de comunidade. Um blog não pode ser uma ilha, ele tem que dialogar com outros blogs. Pesquisando igreja emergente eu encontrei diversos outros blogueiros brasileiros como eu, que não conhecia, o que é bem legal também.</p>
<p>Termino <a href="http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/06/emerging-church.html">citanto o Ed</a></p>
<blockquote><p>Oxalá o Emerging church se torne mais do que uma tentativa de dialogar com a pós-modernidade e um rompimento com o etnocentrismo anglo-americano. Oxalá o primeiro mundo ouça o suspiro dos oprimidos e considere fazer teologia para responder também ao sofrimento do corpo e não apenas às angústias da mente. Oxalá o mercado evangélico publique o que vale a pena ser lido e não o que vende. Oxalá os teólogos acadêmicos ocupem-se não somente com a ortodoxia, mas também com a práxis cristã. Oxalá os pensadores do Emerging church tirem o atraso – são benvindos em nossa estrada. Oxalá sigamos todos cobertos pela poeira dos pés de Jesus.</p></blockquote>
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		<title>Vejam minha estréia como ator de teatro</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Jul 2008 22:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilberto Jr</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Outros]]></category>

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		<description><![CDATA[Sabiam que eu sou ator? Pois é&#8230;
A cia de teatro na qual eu estou trabalhando,  Cia Antropofágica, estréia amanhã a peça &#8220;Mas a final, o que é a liberdade?&#8221;. É baseada no texto Liberdade Liberdade, de Flávio Rangel e Millôr Fernandes e fala, obviamente, sobre liberdade, passando pela história da humanidade desde Sócrates até [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sabiam que eu sou ator? Pois é&#8230;</p>
<p>A cia de teatro na qual eu estou trabalhando,  <a href="http://antropofagica.com/">Cia Antropofágica</a>, estréia amanhã a peça &#8220;Mas a final, o que é a liberdade?&#8221;. É baseada no texto Liberdade Liberdade, de Flávio Rangel e Millôr Fernandes e fala, obviamente, sobre liberdade, passando pela história da humanidade desde Sócrates até a Segunda  Guerra. O texto é muito bom, os atores nem tanto :)</p>
<p>Fico em cartaz todo o mês de julho, Sábados às 21h e Domingos às 19hs. A entrada é grátis, <a href="http://pyndorama.com/mapa.htm">no Espaço Pyndorama</a>.</p>
<p><img src="http://pyndorama.com/py/liblib-web-350.jpg" alt="" /></p>
<div><embed src="http://widget-23.slide.com/widgets/slideticker.swf" type="application/x-shockwave-flash" quality="high" scale="noscale" salign="l" wmode="transparent" flashvars="cy=ok&#038;il=1&#038;channel=2449958197292072995&#038;site=widget-23.slide.com" style="width:350px;height:262px" name="flashticker" align="middle"></embed>
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		<title>O quereres</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Jun 2008 02:30:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilberto Jr</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>

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		<description><![CDATA[

“Não amem os caminhos do mundo. Não amem as delícias do mundo. O amor pelo mundo faz escorrer de nós nosso amor pelo Pai. Praticamente tudo que acontece no mundo — querer tudo do seu jeito, querer tudo para si mesmo, querer parecer importante — não tem nada a ver com o Pai. Isso só [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="entry">
<div class="entry">
<p>“Não amem os caminhos do mundo. Não amem as delícias do mundo. O amor pelo mundo faz escorrer de nós nosso amor pelo Pai. Praticamente tudo que acontece no mundo — querer tudo do seu jeito, querer tudo para si mesmo, querer parecer importante — não tem nada a ver com o Pai. Isso só nos distancia dele. O mundo e seus quereres passam, mas aquele que faz o que o Pai quer permanecerá para a eternidade.”</p>
<p>Esta é uma tradução minha da passagem de 1 João 2.15-17 a partir da paráfrase <a href="http://www.biblegateway.com/passage/?book_id=69&amp;chapter=2&amp;version=65">The Message</a>, que eu li por acaso, para conhecer esta versão.</p>
<p>Sabendo mais ou menos de cor este trecho desde pequeno, sempre foi um grande mistério para mim o que eram essas tais concupiscência de que a versão Almeida fala, concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida. A NVI traz outra visão: cobiça da carne, cobiça dos olhos e ostentação dos bens.</p>
<p>Na The Message Eugene Peterson oferece esta interpretação dos três quereres: querer tudo do seu jeito, querer tudo para si mesmo, querer parecer importante.</p>
<p>Depois que li esta última versão, fiquei com esses <strong>quereres</strong> na cabeça. Que me lembra “o quereres”, do Caetano:</p>
<blockquote><p>O quereres e o estares sempre a fim,<br />
Do que em mim é em ti tão desigual…</p>
<p>Faz-me querer-te bem;<br />
Querer-te mal:</p>
<p>Bem a ti, mal ao quereres assim:</p>
<p>Infinitivamente impessoal;<br />
E eu querendo querer-te sem ter fim!</p>
<p>E querendo-te,<br />
Aprender o total…</p>
<p>Do querer que há;<br />
E do que não há em mim!</p></blockquote>
<p>Tudo isso, ficou rodando na minha cabeça, lembrando-me que a mensagem do evangelho é uma mensagem que põe fim ao infinito quereres cobiçoso do ser humano. Não ao querer que nos leva pra frente, o querer o bem do próximo, o querer um mundo mais justo. Não ao “só quero aquilo que não é meu”, do Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade. Não…</p>
<p>O amor pelo Pai põe fim ao quereres que faz uma pessoa se virar contra a outra. Ao querer tudo do seu jeito, sem saber negociar para encontrar o bem para o coletivo, usando todo poder que estiver à mão para fazer seu querer realizar-se.  O querer tudo para si, mesmo quando vê o outro em extrema necessidade. O querer parecer importante, justamente porque sabe que não é.</p>
<p>Importante é aquele que ama ao Pai. E quem ama ao Pai ama as pessoas. E quem ama as pessoas não se conforma em vê-las sendo oprimidas sem fazer nada. Este pode olhar para a eternidade com esperança.</p>
</div>
</div>
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		<title>Maus Samaritanos</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Jun 2008 03:54:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gilberto Jr</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>

		<category><![CDATA[missão integral]]></category>

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		<description><![CDATA[O fariseu passou por um homem quase morto jogado na beira da estrada e não fez nada. O bom samaritano passou pelo mesmo homem e cuidou dele até que ele tivesse sua dignidade restaurada. Vocês conhecem a parábola.
Os cristãos passam todos os dias, no caminho de casa para o trabalho, para a escola, na cidade, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O fariseu passou por um homem quase morto jogado na beira da estrada e não fez nada. O bom samaritano passou pelo mesmo homem e cuidou dele até que ele tivesse sua dignidade restaurada. Vocês conhecem a parábola.</p>
<p>Os cristãos passam todos os dias, no caminho de casa para o trabalho, para a escola, na cidade, no campo, por dezenas de homens quase mortos jogados na beira da estrada.</p>
<p>Os cristãos sabem que há milhões de homens quase mortos de fome na beira das estradas da sociedade. Que há milhões de homens quase mortos por não fazer nada na vida além de trabalhar para mal conseguir ganhar o pão e morrer sem um leito de hospital na beira das cidades, nas periferias.</p>
<p>Os cristãos sabem que há nações inteiras, povos inteiros, etnias inteiras, e até continentes inteiros jogados quase mortos, na guerra, na fome, na miséria, nas doenças facilmente curáveis, na beira do atual sistema de desenvolvimento.</p>
<p>E individualmente cada um de nós passa ao largo, sem olhar para as pessoas necessitadas que encontramos, exatamente como o farizeu, preocupados com a música que cantaremos no próximo culto de domingo.</p>
<p>E coletivamente a cristandade passa ao largo, sem olhar para as crises sociais,  exatamente como o farizeu, preocupados com as nossas instituições, com nossos eventos, com a defesa dos nossos dogmas e da nossa maneira peculiar de entender o que é ser cristão perante idéias não muito divergentes.</p>
<p>Passamos ao largo. Nosso olhar está bem longe do lugar para o qual Deus está olhando. Nossa mão está bem longe do lugar onde está a mão de Deus. Nosso trabalho está bem longe do lugar onde Deus quer que nós trabalhemos.</p>
<p>Cada vez mais fico em dúvida se devo continuar falando a quem não tem ouvidos para ouvir ou se devo me voltar para aqueles que, sem consciência, exatamente como o samaritano que para o farizeu era a pessoa que não conhecia a Lei e não era digna dela nem poderia cumpri-la, estão mais próximos de serem cristãos verdadeiros do que qualquer &#8220;cristão exemplar&#8221; de qualquer uma das tradições cristãs expressivas de que tenho conhecimento.</p>
<p>Cada vez mais percebo que ser verdadeiramente cristão é não ser aquilo que o consenso eclesiástico diz que é ser cristão. Cada vez mais percebo que ficar longe daquilo que se chama por aí de igreja é a melhor maneira de encontrar o verdadeiro Corpo de Cristo.</p>
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