A defesa da vida e da família nestas eleições
Na reta final para as eleições, uma discussão tem se espalhado entre cristãos: a de que “é preciso defender a vida e a família”. Sob este bonito slogan esconde-se outro, mais claro, mas bem menos bonito: aborto e casamento homossexual devem ser crimes. A “acusação” é a de que o PT estaria comprometido a legalizar o aborto e o casamento homossexual.
Eu poderia entrar na polêmica e problematizar bastante a questão do aborto e dos homossexuais em si. Mas não quero. Em vez disso, quero propor que pensemos nos partidos: é verdade que geralmente os partidos de esquerda são a favor de descriminalizar o aborto para proteger as mulheres dos abortos clandestinos, é verdade que geralmente os partidos de esquerda não querem negar aos homossexuais os mesmos direitos civís dos heterossexuais.
Mas também é verdade que nenhum, absolutamente nenhum partido de direita pode ser a favor da vida. São os mesmos partidos de direita que lutam contra o aborto que tentam aprovar a pena de morte. São estes partidos de direita que entendem que a solução para a violência é a ROTA, que mata indiscriminadamente os meninos pobres da periferia. São estes partidos de direita que lutam pelo máximo lucro para as elites, aprofundando as desigualdades e a miséria. São estes os partidos da ditadura, da censura, da tortura, da guerra.
Além disso, uma coisa boa sobre os partidos de esquerda é que eles são democráticos: se você quiser realmente lutar pela vida, não seja hipócrita, vá além de espalhar emails com denúncias moralistas e engage-se na conversa com os militantes dos partidos que de fato lutam pela vida e pela liberdade, visite e converse com as mulheres que foram violentadas pelo aborto ilegal, conheça os homossexuais que apanham e sofrem a vida inteira por serem como são… ajude, dentro de um partido que se preocupa de fato com a vida, a propor para o Brasil uma solução para por fim à violência que estas pessoas sofrem, não a fazê-las sofrer ainda mais.
Se você quer realmente lutar pela vida e acha que se preocupa com estas questões, faça como Jesus, que veio para libertar os cativos e dar fim ao sofrimento, não para por em cativeiro e destruir para sempre a vida de mães que já sofreram suficiente violência, terror e dor para uma vida inteira.


