Se eu sou algo incompreensível, meu Deus é mais

Por Gilberto Jr, dia 7/09/2009.

Nós nunca vamos poder dar conta de sequer imaginar o tamanho da sabedoria e do conhecimento de Deus. Quem pode explicá-lo? Quem é inteligente o bastante para dizer a Ele o que fazer? Quem pode ter feito a Ele um favor tão grande que esteja em posição de lhe dar conselhos? Tudo vem dele, existe por ele, e vai para ele, como disse S. Paulo.

“Se eu sou algo incompreensível, meu Deus é mais”, diriam os tropicalistas. Mistérios sempre há de pintar por aí. Essa inversão lógica é encontrada na bíblia de maneira muito óbvia, e como quase tudo que é óbvio, passa desapercebida.

Não podemos definir Deus ou encaixá-lo nas nossas caixinhas conceituais. Pensar sobre Deus não é, no entanto, um exercício vão de filosofia. Aquilo que pensamos sobre quem Deus é define quem nós somos.

Se eu, criado à imagem de Deus, sou incompreensível a mim mesmo e aos outros, meu Deus é mais. Ainda assim, se eu sou capaz de amar, de sofrer com os oprimidos e lutar pela sua libertação, de viver em comunidade, de criar, de me relacionar com as pessoas, de não permanecer calado e indiferente frente a um genocídio social… meu Deus é mais.

Se no entanto eu fosse algo capaz apenas de trabalhar para mim mesmo e para o meu próprio bem, em detrimento do próximo… Ou se eu fosse uma pessoa que ninguém apontaria como um sociopata mas que também não se reconhece como uma pessoa que está dando sua vida pela justiça…

Neste caso, ainda que eu vivesse uma vida pacata e sem fazer mal a ninguém, fosse na igreja todos os domingos, estudasse todos os manuais de teologia, aquilo que eu conceituaria como “Deus”, se existisse tal coisa, seria completamente diferente do Deus a quem eu chamo de Pai.

Não há comentários nesta postagem.

Seu comentário