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O sacerdócio universal é um problema estrutural

Por Gilberto Jr, dia 20/04/2008.

“O movimento que conduz do ministério como monopólio de homens ordenados para o ministério como responsabilidade de todo o povo de Deus, ordenados ou não, constitui uma das mais dramáticas mudanças da igreja contemporânea (…) O sacerdócio do ministério ordenado deve possibilitar, e não remover, o sacerdócio da igreja inteira.”

Estas considerações de David Bosch, em Missão transformadora: mudanças de paradigma na teologia da missão, citadas por Ed René na edição 291 do informativo IBAB, resumem bem o assunto, sobre o qual Ed tem pregado nos últimos domingos e eu tenho refletido bastante. Quero compartilhar alguns comentários-dúvidas sobre isso.

Eu entendo que a experiência é que muda a consciência, não o contrário. Se a igreja toda pensa que orar, evangelizar, visitar os enfermos, ajudar as pessoas, é um serviço exclusivo do pastor, não adianta tentar mudar a situação conscientizando o povo, é preciso mudar a experiência prática do dia-a-dia da igreja.

Tendo isso por base do meu raciocínio, eu pergunto: será que o sistema de broadcasting, como o da TV, onde um fala para muitos e o que fala não têm a possibilidade de ouvir de volta, que é o sistema das pregações de domingo na maioria das igrejas, não cria ele mesmo a idéia dos pastores como “gurus capazes de fazer tudo” ?

Será que juntar toda a congregação para ouvir uma mensagem em tempos que até mesmo a imprensa, o rádio e a TV são considerados tecnologias antigas, com a facilidade que temos para fazer uma mensagem chegar aos ouvidos das pessoas sem precisar que elas estejam todas juntas ao mesmo tempo em um mesmo lugar físico, não seria um desperdício de tempo e energia?

Se grupos pequenos e outras estruturas que facilitam o trabalhar-junto, o uns-aos-outros, o sacerdócio universal, a missão integral prática, são realmente os programas mais importantes da igreja, porque não damos a eles o melhor dia e horário? Porque estes momentos são jogados em lugares da agenda em que sabemos que muito menos gente poderá participar?

Quando a Igreja escolhe seu melhor dia e horário para cantar e ouvir a mensagem do pastor, não decide também que esta é a prioridade máxima da vida da comunidade?

Eu penso que a celebração é muito importante na espiritualidade cristã, mas será que é mais importante que o trabalhar-junto, que o ministério da igreja?

Será que é uma boa estratégia pedagógica dizer às pessoas que elas devem trabalhar e serem ativas no Reino de Deus enquanto elas estão em um evento no qual só podem ficar sentadas ouvindo?

Eu penso que para fazer mudanças estruturais na igreja, é preciso mais do que mudar a estrutura da teologia, é preciso mudar a praxis da igreja.

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