Pecado e contexto cultural, uma dúvida.
Tenho uma dúvida: até que ponto podemos interpretar a bíblia levando em consideração o contexto cultural?
Um exemplo: no contexto do império romano a mulher deveria estar, desde criança até sua morte, sob a guarda de um homem. Enquanto criança era o pai, depois o marido. Ela não tinha direito a ter posses, aquilo que ela possuía era do seu guardião, e passava de um para outro quando ela passava a pertencer a outro. Os filhos eram posse do marido, que tinha inclusive poder de vida e morte sobre eles.
O divórcio era portanto algo muito ruim para a mulher porque ela perdia todos os seus filhos, a pouca liberdade que tinha como esposa, tinha pouquíssimo perspectiva de conseguir outro marido já que os casamentos eram arranjados quando as moças eram ainda bem jovens ou até crianças. A mulher devia obedecer ao seu guardião, seja ele o pai ou o marido, porque era considerada inapta a (leia-se: tão burra que não era capaz de) tomar as próprias decisões.
Portanto, se um homem do império romano divorcia-se de sua esposa estará fazendo com que ela sofra demais. Por isso, um homem cristão não deveria divorciar-se, para não causar este sofrimento à mulher.
Mas no contexto de hoje uma mulher que tem emprego e pode sustentar-se e aos filhos tem as mesmas condições de um homem. A nossa sociedade reconhece a igualdade entre homem e mulher e dá plenos direitos políticos a elas. Há casos em que o divórcio faz a mulher sofrer menos, não mais.
Volto à minha dúvida, que não é sobre o divórcio em si, mas sobre como devemos entender a bíblia:
O que é melhor, interpretar a bíblia através de dogmas ou procurar o princípio (neste caso, o cuidado com o bem-estar da mulher), a essência que há por trás de cada trecho bíblico, entendo-o através do seu contexto histórico?
O que é melhor, seguir os mandamentos bíblicos rigorosamente como estão ditos ou procurar saber porque o autor disse o que disse, a quem ele se dirigia, e a partir daí procurar aplicar o mesmo princípio nas nossas vidas no nosso contexto histórico-cultural.



Toda e qualquer pessoa sabe que a biblia foi escrita em diferentes épocas. E com citações e ilustrações inerentes a sua realidade no (naquele) momento.
Paulo Martins - 26/03/2008 às 9:09 amNão gosto de texto ou resposta prolongada: gosto de ir direto ao assunto.
Salomão curtia e gostava de mulher pra caramba: CANTARES, mostra bem isso. Creio eu, que o mesmo as tratava muito bem, (Preparava o Terreno) para depois chegar junto.
Creio que Salomão seria um bom exemplo de como tratarmos as mulheres, (Esposas,Noivas, Namoradas). Creio que virão postagens melhores que a minha, mas citei Salomão, porque ele foi um camarada autentico e sem demagoiga e hipocrisia, ao contrario de um tal matéria (Prática Pastoral) que fala um monte de baboseira, pra vc fazer isso e aquilo para sua mulher e tal, e depois vemos Pastores, GORDOS INCHADOS, com mal hálito terrivel, e tratando a mulher como um coronél trata seu capanga.
Da-lhe Salomão vc era BICHO SOLTO.
Mas deixo caro, que não estou instigando ou fazendo apologia das atitudes de Salomão quado ele tinha varias mulheres.
Uma só esta bom, e olha que de vez em quando………..se ela fosse 1/2 poderia ser melhor.
hahahahahahahahahahaha
Paulo Martins - 26/03/2008 às 9:13 amBom, com certeza prestar atenção no contexto;….pois foram em tempo diferentes …etc …
Os tempos mudaram com isso suas culturas …creio que o Espírito Santo independente dessas mudanças tem um “papel” importantíssimo seja em culturas diferentes, em locais diferentes….
…..De convencer do pecado , da justiça e do juízo. Essa “voz” soa bem mais forte do que “regras impostas” de achismos.
Até .
Vania - 26/03/2008 às 10:10 amQuerido mano Gilberto, paz e bem sobre a sua linda alma!
Obrigado pela oportunidade e privilégio concedido a mim e a outros de podermos dialogar sobre assuntos tão relevantes para aqueles que estão em Cristo.
Esta sua pergunta é importantíssima. Pois, a pessoa uma vez compreendendo, e, por sua vez; discernindo qual a resposta, ela nunca mais falará besteiras em nome de Deus ou de Jesus!
Eu, como teólogo e alguém que está envolvido na área pastoral e docente de faculdades teológicas, fico irritadíssimo e às vezes perco as estribeiras (rsrsrsrs) com alguns alunos que se dizem pastores de um rebanho. Porque? Exatamente porque estes que deveriam ser sensíveis as demandas existenciais de cada um, trazendo bálsamo e refrigério com uma palavra ungida e cheia de plena misericórdia; são exatamente o contrário de tudo isso.
Estes, pegam a bíblia, e, querem encontrar nela um manualzinho de respostas prontas para a realidade da vida das pessoas. A bíblia não é uma cartilha de respostas prontas para tudo. Ela não é um manual de receitas, pois, a mesma não trabalha com coisas concretas. E sim, ela (palavra de Deus) é um espírito que leva os seres humanos a pensarem, pois, a vida é dinâmica demais para se ter respostinhas prontas a todo instante. Por isso a Bíblia é um espírito. Ou seja; a mesma trabalha com conceitos.
Quem sempre gostaram de se deterem com a letra “virgula-por-vírgula” e “letra-por-letra” eram os fariseus do tempo de Jesus de Nazaré. Fundamentalistas ao extremo e advogados de Deus. Sim! Os defensores da “lei-cartilha” de Deus.
Eles nunca conseguiam trabalhar com conceitos. Mas sim, com a concretude, com o concreto da letra impressa no papel. Não conseguiam enxergar nas entrelinhas algo conceitual e também circunstancial. E por esta razão eles mesmos “demonizavam” a Jesus, ao ponto de tacharem ele (Jesus) como alguém endemoninhado. E porque? Simplesmente porque Jesus ia além da “letra- escrita”.
Pegando um gancho sobre o assunto do divórcio - se bem que esta não fora a sua intenção - Jesus trata alí de um assunto extremamente circunstancial da época dele. Se não veja: Se o AT era a palavra de Deus dada a Moisés, logo não devemos discutir o assunto. Tá escrito e não se discute. Correto? Estava escrito que o homem podia dar carta de divócio para a mulher. Se estava escrito (ainda está) e, quem falou foi Deus, logo, se o homem quisesse dar carta de divórcio ele estaria amparado pela própria Palavra de Deus. Correto? Errado!
Para Jesus, aquela “teologia-forense” era demoníaca. O interessante é que Jesus dá ao texto uma interpretação totalmente circunstancial para a época. Logo, eu entendo que Jesus não interpretava as escrituras à partir da ótica seca do “tá-escrito”. E sim, acerca de algo que foi palavra de Deus, todavia, para a “época-circunstância-histórico-cultural” de Moisés. E porque? Veja o que ele diz: “Deus permitiu e disse isso por causa da dureza dos vossos corações”.
E aí eu pergunto: “Onde está escrito no texto que Deus falou para dar carta de divórcio por causa da dureza de coração de alguém?”. Sim! Não está escrito, porém, a ótica hermenêutica de Jesus era que aquela palavra de Deus não tinha relevância histórica-cultural para a época dele (Jesus). Correto? É claro que sim!
O que aconteceu? Ora, Jesus foi tachado de herege. Pois, ele falou de algo que não estava escrito. É sempre assim; quem gosta de ver-enxergar a letra no papel e procurar pelo em ovo são sempre os fundamentalistas fariseus.
Portanto mano Giba, tenho certeza absoluta e disso estou persuadido no Senhor Jesus Cristo que; a Bìblia é um espírito e a mesma só será Palavra de Deus quando ela for desembocada no espirito de amor e melhoria-felicidade para o chão da vida das pessoas. Porque ela é chamada de Palavra de Deus? Ora, não é porque ela tem sempre uma palavra para as demandas de cada um de nós? Cujas demandas sempre são relativizadas pelas circunstâncias e pelas culturas?
Logo, para cada caso uma palavra específica de Deus! E isso queima em meus ossos.
Mano Giba, parabéns pela pergunta e que nós possamos sempre pensar, ver, enxergar, discernir, agir, irar-se, virar as mesas (ainda que seje dentro do templo), chorar, pegar, sorrir, sofrer, caminhar, amar. Sim! Sempre como Jesus de Nazaré, o Filho do Deus Vivo!
Sandrão
Sandro Alves Martiniano de Souza - 26/03/2008 às 3:06 pmOlá !! Gilberto Jr.
Vilsa - 1/04/2008 às 3:30 pmconheci seu cantinho aqui atraves do gattune, e resolvi dar minha opnião, não bem elaborada e exemplificada quanto as demais, mais ai vai ela:
Bem você tem que ler o texto dentro do contexto, para não fugir, do que realmente esta se apresentando dentro do texto, sei que as vezes fazemos como você fez, imaginamos e nos indagamos como seria se isso tudo existisse em nossos dias….seria horrivel, causaria uma revolução, e certo de que não se aplicaria isso hoje.
E quanto aos mandamentos não são aqueles os mais importantes e os quais os levariam a uma mudança de espirito.
Fica com Deus, e foi uma boa pergunta, na proxima estudarei melhor!!
Super abraço!!