A máquina de carne humana
Era uma vez um lugar onde carne humana era uma iguaria muito apreciada.
Neste lugar havia uma máquina de carne humana que funcionava assim: No setor 1 mães geravam bebês. Assim que nasciam, eles eram movidos para o setor 2, onde recebiam cuidados especiais mínimos para mantê-los vivos. Assim que aprendiam a se virar sozinhos, passavam para o setor 3, onde permaneciam engordando até o fim da adolescência. Ao fazer 20 anos todos iam para o setor 4, onde eram esquartejados.
Algumas pessoas resolveram que seres humanos sendo criados para serem esquartejados e depois vendidos no supermercado não era bom e resolveram lutar contra isso.
Primeiro eles tentaram melhorar um pouco a vida dos humanos na máquina. Levavam comida boa, pois eles eram alimentados sempre com uma mesma ração horrível; roupas boas, pois eles passavam muito frio; entre outras coisas. Não funcionou. A matança continuou do mesmo jeito. As pessoas só eram esquartejadas com um pouco menos de sofrimento.
Depois eles tentaram retirar as pessoas da máquina. Juntaram um pequeno exército e levaram embora todos os adolescentes. Não funcionou. Os bebês cresceram, tornaram-se adolescentes e aos 20 anos foram esquartejados do mesmo jeito.
Tentaram também retirar as mães do setor 1 e os bebês do setor 2. Não funcionou, outras adolescentes foram destinadas a serem mães, novos bebês nasceram e tudo continuou do mesmo jeito.
Somente depois de muitas gerações de tentativa e erro é que este persistente grupo de libertação descobriu: é preciso destruir a máquina.
Não resolve tentar melhorar um pouco a vida de um punhado de pobres. Não resolve dar a alguns deles a chance de deixarem de ser pobres. É preciso destruir a máquina, a estrutura que faz com que essa situação exista. A luta dos cristãos contra o pecado não pode ser somente contra o pecado individual. Mas também contra o pecado estrutural, contra a maneira perversa como a sociedade está organizada, que produz injustiça e sofrimento.
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