O dizimo é um Sinal do Reino

Por Gilberto Jr, dia 13/11/2007.

O dizimo é uma das poucas práticas do cristianismo que é comum a tradições tão distintas como a igreja católica, pentecostal, neo-pentecostal, reformadas diversas, etc. Desde minha infância e adolescência, sempre fui dizimista: meus pais davam o dinheiro por mim, e às vezes a mim para que eu mesmo contribuísse, de forma que eu aprendesse desde cedo a contribuir.

O medo do devorador e a janela do céu.

Por muito tempo, aprendi e mantive na minha mente a maneira de pensar sobre o dizimo que se lê em Malaquias 3:10 - “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós tal bênção, que dela vos advenha a maior abastança. Também por amor de vós reprovarei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; nem a vossa vide no campo lançará o seu fruto antes do tempo, diz o Senhor dos exércitos”

A idéia que este texto traz, ou a interpretação que eu aprendi, é esta: quem dá o dizimo é abençoado na sua vida financeira, quem não dá é amaldiçoado com o devorador, que destrói suas finanças. Muito antes do neopentecostalismo assolar o Brasil eu já ouvia na igreja testemunhos nos quais as pessoas diziam que sempre foram dizimistas e que por isso Deus lhes deu um novo emprego ou algo assim.

O dizimo não compra a benção de Deus.

Hoje este entendimento do dizimo me parece mágico ou supersticioso demais para ser verdadeiro e coerente com a Palavra. Deixando de lado os eufemismos, me parece mais com macumba do que com uma prática verdadeiramente cristã. Dar algo “a Deus”, para que Ele, em retribuição, nos abençoe, não se parece nada com a atitude do Deus que eu conheço, o Deus-Amor, o Deus-Graça, o Deus-Justo. “Pois quem de primeiro a Ele para que seja recompensado?”

O dizimo é um sinal de uma utopia por vir.

Imagine se todos dessem tudo de graça a todos. O pão que você come seria de graça, a terra, o material de construção, o churrasco, as roupas, o transporte, a saúde, os computadores, a educação, tudo.

Imagine um mundo no qual, em vez de cada um trabalhar para acumular riquezas para si próprio, a generosidade e o espírito de comunidade e colaboração chegou a um nível em que ninguém precisa comercializar nada, porque todos têm tudo em comum… Essa utopia - por definição, “algo que não existe em lugar algum” - é muito próximo do que eu penso ser o Reino de Deus, um Reino de Justiça e Liberdade para todos.

Dez por cento não: TUDO.

O padrão de Jesus Cristo não é o dizimo, não é dar a décima parte do que se tem, é dar tudo. Ele disse “vende tudo o que tens e dá-o aos pobres”. Se todas as pessoas fizessem isso, estaríamos muito próximos do Reino de Deus.

Pois aí aparece o dizimo. Quando abrimos mão de dez (vinte, trinta) por cento da nossa renda - se é que temos renda, a maioria de nós brasileiros só temos, quando temos, o necessário para nos manter vivos - colocando o coletivo acima do individual, colocando o todo acima da parte, colocando o próximo acima do nosso ego, estamos sinalizando o Reino de Deus, a utopia de um mundo onde todos darão tudo a todos e ninguém terá falta de nada.

A quem devo dar o meu dízimo?

Nesse sentido, o dizimo é um ato de generosidade que não precisa necessariamente ser uma contribuição a uma instituição religiosa, a uma igreja (com i minúsculo). Pode ser uma contribuição a uma ONG, a uma família carente, a um asilo, a um orfanato, enfim, a um projeto que tenha opção preferencial pelos pobres, pelos oprimidos, pelos pequeninos sobre os quais Jesus disse que o que fazemos a eles, fazemos a Ele próprio.

Se contribuimos com a nossa comunidade cristã, seja porque ela é um verdadeiro lugar onde a mão de Deus (por meio das mãos das pessoas) atua em favor daqueles que precisam.

Essa é a nossa missão, o nosso trabalho na terra, a ordem e a pregação de Jesus: sinalizar ao mundo que o Reino de Deus chegou. Essa deve ser a nossa prática em todas as esferas da nossa espiritualidade, inclusive no dizimo.

3 Comentários

  1. Tenho visto realmente e de uma maneira errada subconscientemente, que não se atrela o dizimo as bençãos materiais, indiscutivelmente esse Deus de berganha não existe.
    Por outro lado não será justo usufruir da musica, microfones, agua mineral, biblioteca, salas e salas sem que haja um patrocinio.
    Alguem tem que pagar a conta.
    “Quem é que vai pagar por isso, quem é que vai pagar por isso♫♫♫.
    Mas isso meu pai chama de patrocinadores da IIIgreja.
    O injusto é bater na mão da criança e dizer “não beba agua”, toda vez que ela beber vai achar que esta errada.
    A consequencia do “ensino”

    Henry - 13/11/2007 às 10:46 am
  2. oi henry

    se a igreja aponta na direção dos pobres, acho fundamental ajudar.
    se não. ela que deixe de lado “a musica, microfones, agua mineral, biblioteca, salas e sala” e vá fazer o que Cristo mandou fazer…

    obrigado pelo comentário :)

    Gilberto Jr - 13/11/2007 às 1:53 pm
  3. Caros irmãos, na realidade existe uma ação corporativa para que o poderio se mantenha, inclusive exigindo que além dos 10% se faça ofertas adicionais! Na verdade o própio Senhor disse q não haveria mais templos construidos por mãos humanas, os templos seriam os própios filhos do Senhor que somos nós, então td isso deveria ser para que nós o adminestremos p/ a causa do Senhor, dito bem acima pelo Gil. que td que for nosso seja para que nós os destinemos da melhor forma p/ uma direção em prol de alguma tentativa de não gastá-los c/ baalins ou cousas que possam desagradar ao Senhor! O q chegaria mais próximo seria o do catolicismo que aceita qualquer valor! os demais estão em pecado contra ao Senhor dos esércitos!
    Leprê

    Leprê - 10/09/2008 às 11:56 am

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