Jesus, faz outra mágica?
A tirinha abaixo, de André Dahmer, explica melhor do que muitas elocubrações teológicas os rumos dos evangélicos no Brasil e pelo (terceiro) mundo afora.

O detalhe é que além de buscarem um Jesus mágico, buscam mágicas que transformem seus empregos, sua saúde, sua casa, seus carros, seu dinheiro, suas circunstâncias, não suas vidas, não seu caráter.
Outro detalhe é que, alienados pelo consumismo, evangélicos neopentecostais buscam mágicas que os façam mais ricos, para terem o poder de comprar coisas mais caras e bacanas e pertencerem à classe social que pode comprar essas coisas. Vivem num mundo em que as pessoas que têm o poder de comprar mais coisas bacanas são melhores que as que não podem. Um mundo no qual as próprias pessoas são reificadas, coisificadas. Um mundo no qual todos vivem como autômatos, como marionetes de um sistema no qual os seres humanos de verdade são supérfluos.
Não é preciso ir até a sujeira da teologia da prosperidade para encontrar cristãos que têm uma relação infantil com Jesus. A maioria dos evangélicos esperam uma mágica de Jesus que transforme o mundo e a história. Observam em silêncio – ou apenas resmungando – a tragédia social que vivemos. Não buscam transformar a realidade das pessoas à sua volta. Quando não estão alienados numa igreja que está fechada em si mesma, ficam contentes em fazer com que as pessoas em necessidade, os oprimidos de quem o Mestre mandou que cuidássemos “aceitem Jesus” e passem a freqüentar a igreja.
Aqueles que têm dinheiro, vivem de acordo com a lógica individualista e idólatra que o capitalismo prega: “eu tenho este emprego porque sou competente, ganho esse dinheiro com meu suor, mereço este conforto”.
A maneira de Jesus de interferir na história não foi fazendo mágicas. Foi através de um ministério voltado para os pobres, cuidando das pessoas que precisam.
Bem disse o Ari, que a humanidade tem uma missão:
“cooperar com a implantação do Reino pela sinalização, através da pregação e das boas obras, assim, apressando a volta de Cristo, o que implantará o Reino final e definitivamente.
Cada membro dessa nova humanidade tem de, conscientemente, se engajar nessa dinâmica de transformação da história, preparando-a para a volta de Cristo, de modo que Jesus, em sua volta, não só encontre o filho que agrada ao Pai, como encontre uma realidade mais próxima da vontade do Pai.
O filho que agrada o Pai interfere na história, corrigindo-a à luz do Reino de Deus.”


