Deus está para além de Deus
O título acima explica bem um conceito sobre o qual Ricardo Gondim vem falando há bastante tempo. Eu chego a quase sentir que ele se repete, mas logo percebo que eu ainda não entendi bem… É a repetição necessária ao ensino.
(Digo isso depois de ler este artigo, no qual o Ricardo apresenta suas razões para excomungar-se do movimento evangélico. Recomendo que leiam.)
Deus está para além de Deus
Há uns dias atrás, ao me deitar para dormir eu resolvi orar. Quando comecei, me perguntei, “Quem é Deus?”. Fiquei me debatendo com essa pergunta pela noite inteira, meio dormindo, meio acordado…
Quando eu era criança, e adolescente, Deus era um Espírito que falava comigo. Eu tinha longas conversas com Ele sobre qualquer assunto, desde uma nova paixão até o que fazer para o almoço.
Depois eu comecei a ler teologia e Deus se tornou um pouco mais distante. Na verdade, Deus se tornou um problema, daqueles que a gente quebra a cabeça pra resolver em um vestibular. Mas eu me envolvi totalmente com este problema. Nesta fase, minha experiência com Deus tornou-se intelectual.
Depois de ler “Nós diante da Trindade“, de Christian Schwarz, muitas vezes (é um livreto que se lê em 20 minutos no máximo), eu entendi Deus como um só - nós podemos nos relacionar com ele de várias maneiras, como nosso Criador, Salvador ou Consolador… Percebi que posso experimentar Deus de maneira poderosa em um passeio no parque, tomando vinho com meus amigos, em uma música do Caetano, e sim - quem diria! - até na igreja, num culto de domingo.
A minha experiência com Deus se tornou muito mais ampla do que era antes.
Hoje que estou lendo A próxima Cristandade, de Philip Jenkins, um livro que fala sobre os possíveis futuros da(s) igreja(s), ao mesmo tempo que leio História da Teologia Cristã, de Roger Olson, um livro que fala sobre o passado da igreja desde seu início até hoje em dia, me deparo com expressões de cristianismo que eu jamais poderia imaginar.
Vejo a maneira bizantina de entender e se relacionar com Deus no século V ao mesmo tempo que vejo a incrível diversidade das novas igrejas independentes da África e da Ásia. Vejo formas de entender a Deus muito, muito diferentes do que eu aprendi na escola dominical.
Assim, hoje, quando alguém fala “Deus”, eu preciso me perguntar: perae, que Deus?
Tenho consciência de que Deus está para além de Deus. Sem dúvida Ele está para além do Deus que as nossas catequeses tentam impor. Por isso - ainda não sei bem se é porque estou perdido ou porque finalmente encontrei um bom caminho para correr, mesmo que eu não saiba onde vai dar - por isso eu me identifico tanto com a auto-excomunhão do Ricardo Gondim, porque também “me apaixonei por Deus de uma maneira que considero linda - mas que fica na contramão da maioria”.



Primeiro meu depoimento sobre o Jr., um amigo, irmão, companheiro de conversa e música. Quanto ao artigo, Jr. você já conhece minha postura, para comentá-lo fui a fonte, acho o Ricardo superficial e focado no mesmo misticismo que movimentou a Igreja germânica no séc. XIV, o problema é que isto relativiza o absoluto, não o nosso conceito mas aquilo que Deus revela de si mesmo…..gostaria de dizer mais, mas o bom senso mão me permite. Um abraço amigo e coloque mais músicas neste blog….
Gustavo - 27/07/2007 às 9:12 amSeu da Aliança de Miscórdia e fã da Canção Nova!
Iandra Alves - 27/07/2007 às 2:47 pmGilberto, por ventura vc é católico?
Seus textos são belissímos.
Por favor me contate.
Abraço,