Perguntas para a conservação da Vida.

Por Gilberto Jr, dia 10/06/2007.

“Todo conhecimento que não leva a perguntas novas se extingue depressa: não consegue manter a temperatura necessária para a conservação da vida” - Wislawa Szymborska

Se tem uma coisa que eu aprendi nestes últimos anos lendo, principalmente, Ricardo Gondim e Ed René, com suas maneiras corajosas de interpretar as escrituras, e os sólidos argumentos de seus opositores, é que a teologia não está pronta.

Aprendi também com Rob Bell que não existe uma única e exclusiva leitura correta da bíblia. Cada leitura é uma interpretação. Sempre que lemos estamos interpretando. A própria tradução já é, necessariamente, interpretativa - sabe lá Deus quanto conhecimento há no som, na forma, nas brincadeiras de linguagem em cada palavra na Escritura, que podem ter sido perdidos na tradução e na nossa ignorância.

Aprendi ainda com Ed René que deixar de dar atenção ao que o Espírito Santo vem falando nestes 2000 anos, para tantas pessoas que se propuseram a estudar corajosamente a Bíblia, é um pecado.

Mas também aprendi com Roger Olson que muitas questões e tensões da teologia foram resolvidas à força, por ordem e interferência direta de imperadores e lideres políticos seculares. Acho muito complicado aceitar isso como algo natural.

Aprendi com minhas professoras na Escola Bíblica Dominical uma certa teologia, desde criança. Depois fui descobrir que há muitas outras maneiras de entender o mundo, a bíblia, a salvação e todas as coisas das quais eu tinha uma certeza inabalável.

Hoje ando num caminho espiritual que não sei onde vai dar. Como Deus disse para Abrão sair de onde estava e ir para um lugar “que te direi”, saio da zona de conforto das minhas convicções fundamentalistas para uma terra prometida que não sei onde é.

Não sei para onde estou indo com as minhas perguntas, tantas sem resposta. Mas sei que não quero mais viver na terra morta das catequeses, das teologias congeladas, das respostas prontas, das quatro leis disso, dos 10 passos para aquilo…

Eu busco um Deus que faz novas todas as coisas: perguntas novas principalmente. Cada pergunta é mais uma porção de alimento vindo de Deus, que é transformado em energia, para “manter a temperatura necessária para a conservação da Vida”.

3 Comentários

  1. Confesso que é uma atitude audaciosa para diser o minimo!não há como discordar que boa parte dos questionamentos são validos e dignos de reflexão, um novo caminho? uma nova unção? um novo Deus? uma grande mentira? um grande engano? um buraco negro? oremos para que o própio Deus nos revele a verdade desse mundo espiritual tão complexo.

    pastor gilberto - 11/06/2007 às 8:38 am
  2. É preciso ter muita coragem, convicção para descartar todo paradigma encalacrado em nosso entendimento.
    Acredita que diante de tantas coisas para serem aprendidas e colocadas em prática vieram me pergintar se os anjos realmente fizeram sexo ( gn 6).
    È assim que caminha a humanidade cristã….

    edna - 11/06/2007 às 10:39 am
  3. Acho que devemos respeitar a manifestação de Deus através de sua criação, sendo ela a natureza, o nosso corpo, nossos semelhantes. Quando deixamos de considerar o que é melhor para o bem estar da criação, levando em conta a manifestação histórica que foi a vida de Jesus e o agir do Espírito Santo, deixamos um caminho que considero bom.

    Quer saber? Sei lá… ando numa fase que nem sei pra onde vou e o que quero…

    Dani - 11/06/2007 às 11:44 am

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