Deus é uma pessoa que ama, parte 3
As principais e mais cultas correntes da filosofia grega nos primeiros séculos diziam que existe um só Deus, e que este Deus não tem limites, não pode ter emoções e não pode mudar. Alguns teólogos nos primeiros séculos do cristianismo, criados nesta cultura, ensinados assim desde pequenos, não podiam pensar de outra maneira. Por isso, toda a teologia dos primeiros séculos teve como base uma idéia grega de Deus – cujo respaldo bíblico é questionável.
Nem era muito inteligente tentar convencer (e converter) os não-judeus a um Deus que tinha emoções, que sofria, e pior: que poderia mudar. Em vez das conversões em massa no império romano, que culminaram na “conversão” do próprio imperador e o fim da perseguição, pregar sobre um Deus que sofre e muda poderia ter levado à extinção do cristianismo – por causa das perseguições que não teriam parado nunca. Filósofos faziam cartas ao imperador explicando como o cristianismo era uma loucura, pois pregava que Deus encarnou (mudou) e morreu numa cruz (sofreu). A única saída dos Pais da Igreja era provar filosoficamente que isso não era verdade.
Séculos de debates especulativos seguiram até que o cristianismo encontrou um modo de explicar o mistério da trindade e da encarnação de Cristo sem que Deus sofra nem mude. Este modo de explicar está na doutrina das principais correntes do cristianismo até hoje: “A existência de um só e eterno Deus: Pai, Filho e Espírito Santo, um em essência e trino em pessoas”
Três Pessoas? Como assim?
Para os pais da igreja, era necessário dizer que eram três pessoas, porque Deus não poderia sofrer na Cruz, e não poderia mudar na encarnação ou não seria Deus.
Mas a bíblia não ensina claramente esta formula: uma essência, três pessoas. Ela ensina de maneira absolutamente clara que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são igualmente divinos, e que há um só Deus. No entanto coube aos pensadores pós-bíblicos especular se Deus são três pessoas de mesma essência ou uma só pessoa que se manifesta de três modos.
Ao definir a trindade, a Igreja nunca quis dizer que há três pessoas. Com certeza, não do modo como nós hoje definimos a palavra pessoa. Para que o Pai, o Filho e o Espírito Santo sejam pessoas distintas – do modo como nós no século XXI entendemos o conceito de pessoa -, cada um deve ter consciência de si em relação ao outro, devem ter liberdade de ação e operação. Ou seja, se são três pessoas, Cristo poderia discordar do Pai e agir contra a sua vontade, o Espírito poderia agir sem o Pai, o Pai poderia discordar de uma atitude do Filho, nós poderíamos falar ao Filho sem falar ao mesmo tempo ao Pai, sem que ele saiba o que falamos. A Igreja sempre negou que isso fosse verdade.
Imagine três pessoas: pedro, tiago e joão. Agora imagine que estas três pessoas têm exatamente o mesmo conhecimento, pensam os mesmos pensamentos, têm a mesma vontade, os mesmos desejos, sofrem da mesma maneira, tiveram exatamente as mesmas experiências na história e no tempo… Dá pra pensar que não são uma só pessoa? É assim que a igreja sempre pensou sobre Deus, mas o modo de expressar essa verdade foi este: uma essência, três pessoas.
Minha igreja confessa exatamente o que disse acima: A existência de um só e eterno Deus: Pai, Filho e Espírito Santo, um em essência e trino em pessoas. Eu também confesso isso. Mas creio que dizer “pessoas” (hoje e para pessoas de hoje) implica necessariamente em três deuses.
O que o Pai, o Filho e o Espírito são diferentes?
Deus não pode ser conhecido por sí mesmo. Deus não pode ser entendido do modo como Ele entende a sí mesmo. Isso porque ele é infinito e nós somos finitos. Deus não cabe no pensamento humano. Por isso, só conhecemos em Deus aquilo que Ele revelou a nós. Ele se revelou como o Pai Criador do Universo, como o Filho encarnado Salvador da humanidade e como o Espírito Santo que habita em nós.
Nós experimentamos Deus como três e como um ao mesmo tempo. Não há nada na natureza que se assemelhe a esta experiência, por isso temos tanta dificuldade de explicar. Não fossem as heresias, não precisaríamos explicar nada – como Cristo, a Bíblia e os primeiros apóstolos não explicaram -, a experiência seria suficiente. Mas se tivermos que explicar, que seja utilizando a fórmula clássica: uma essência, três pessoas.
No entanto, é necessário deixar claro que com “pessoas” queremos dizer: revelações pessoais do único Deus.



Um Deus tão bom que nos permite investigalo como se ele tivesse que nos dar satisfação, um Deus cheio de amor para dar e nos ensinar a amar.
pastor gilberto - 9/04/2007 às 8:01 am