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Deus é uma pessoa que ama, parte 3

Por Gilberto Jr, dia 8/04/2007.

As principais e mais cultas correntes da filosofia grega nos primeiros séculos diziam que existe um só Deus, e que este Deus não tem limites, não pode ter emoções e não pode mudar. Alguns teólogos nos primeiros séculos do cristianismo, criados nesta cultura, ensinados assim desde pequenos, não podiam pensar de outra maneira. Por isso, toda a teologia dos primeiros séculos teve como base uma idéia grega de Deus – cujo respaldo bíblico é questionável.

Nem era muito inteligente tentar convencer (e converter) os não-judeus a um Deus que tinha emoções, que sofria, e pior: que poderia mudar. Em vez das conversões em massa no império romano, que culminaram na “conversão” do próprio imperador e o fim da perseguição, pregar sobre um Deus que sofre e muda poderia ter levado à extinção do cristianismo – por causa das perseguições que não teriam parado nunca. Filósofos faziam cartas ao imperador explicando como o cristianismo era uma loucura, pois pregava que Deus encarnou (mudou) e morreu numa cruz (sofreu). A única saída dos Pais da Igreja era provar filosoficamente que isso não era verdade.

Séculos de debates especulativos seguiram até que o cristianismo encontrou um modo de explicar o mistério da trindade e da encarnação de Cristo sem que Deus sofra nem mude. Este modo de explicar está na doutrina das principais correntes do cristianismo até hoje: “A existência de um só e eterno Deus: Pai, Filho e Espírito Santo, um em essência e trino em pessoas”

Três Pessoas? Como assim?

Para os pais da igreja, era necessário dizer que eram três pessoas, porque Deus não poderia sofrer na Cruz, e não poderia mudar na encarnação ou não seria Deus.

Mas a bíblia não ensina claramente esta formula: uma essência, três pessoas. Ela ensina de maneira absolutamente clara que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são igualmente divinos, e que há um só Deus. No entanto coube aos pensadores pós-bíblicos especular se Deus são três pessoas de mesma essência ou uma só pessoa que se manifesta de três modos.

Ao definir a trindade, a Igreja nunca quis dizer que há três pessoas. Com certeza, não do modo como nós hoje definimos a palavra pessoa. Para que o Pai, o Filho e o Espírito Santo sejam pessoas distintas – do modo como nós no século XXI entendemos o conceito de pessoa -, cada um deve ter consciência de si em relação ao outro, devem ter liberdade de ação e operação. Ou seja, se são três pessoas, Cristo poderia discordar do Pai e agir contra a sua vontade, o Espírito poderia agir sem o Pai, o Pai poderia discordar de uma atitude do Filho, nós poderíamos falar ao Filho sem falar ao mesmo tempo ao Pai, sem que ele saiba o que falamos. A Igreja sempre negou que isso fosse verdade.

Imagine três pessoas: pedro, tiago e joão. Agora imagine que estas três pessoas têm exatamente o mesmo conhecimento, pensam os mesmos pensamentos, têm a mesma vontade, os mesmos desejos, sofrem da mesma maneira, tiveram exatamente as mesmas experiências na história e no tempo… Dá pra pensar que não são uma só pessoa? É assim que a igreja sempre pensou sobre Deus, mas o modo de expressar essa verdade foi este: uma essência, três pessoas.

Minha igreja confessa exatamente o que disse acima: A existência de um só e eterno Deus: Pai, Filho e Espírito Santo, um em essência e trino em pessoas. Eu também confesso isso. Mas creio que dizer “pessoas” (hoje e para pessoas de hoje) implica necessariamente em três deuses.

O que o Pai, o Filho e o Espírito são diferentes?

Deus não pode ser conhecido por sí mesmo. Deus não pode ser entendido do modo como Ele entende a sí mesmo. Isso porque ele é infinito e nós somos finitos. Deus não cabe no pensamento humano. Por isso, só conhecemos em Deus aquilo que Ele revelou a nós. Ele se revelou como o Pai Criador do Universo, como o Filho encarnado Salvador da humanidade e como o Espírito Santo que habita em nós.

Nós experimentamos Deus como três e como um ao mesmo tempo. Não há nada na natureza que se assemelhe a esta experiência, por isso temos tanta dificuldade de explicar. Não fossem as heresias, não precisaríamos explicar nada – como Cristo, a Bíblia e os primeiros apóstolos não explicaram -, a experiência seria suficiente. Mas se tivermos que explicar, que seja utilizando a fórmula clássica: uma essência, três pessoas.

No entanto, é necessário deixar claro que com “pessoas” queremos dizer: revelações pessoais do único Deus.

Um Comentário

  1. Um Deus tão bom que nos permite investigalo como se ele tivesse que nos dar satisfação, um Deus cheio de amor para dar e nos ensinar a amar.

    pastor gilberto - 9/04/2007 às 8:01 am

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