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Porque saí da minha igreja, parte 1

Por Gilberto Jr, dia 22/12/2006.

Eu era um presbítero na Igreja Evangélica Avivamento Bíblico. Não sou mais. Mantenho um profundo respeito por todos os amigos que são membros desta igreja, especialmente pelo pastor Cosme, que me apresentou à igreja quando eu nasci e que hoje é presidente do conselho geral desta instituição que tem 60 anos e mais de 1.000 igrejas por todo o Brasil.

Saí no final de abril deste ano, mas só agora as coisas se esclareceram na minha mente o suficiente para que eu fale sobre o assunto. Vou dividir este pensamento em algumas partes. Nesta quero falar da parte administrativa.

O modelo de governo.

Há vários anos eu não consigo acreditar que depois de tantas conquistas democráticas uma instituição cristã não dê nenhuma abertura ao povo para decidir quem serão os seus líderes. A democracia é ruim. Geralmente ela beneficia quem é popular em detrimento de quem é competente, transforma as mudanças em processos demoradíssimos… Mas ainda não apareceu nada melhor que a democracia.

O poder corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente. Um pastor não deveria ter poder absoluto na igreja, ao contrário, deve ser servo e respeitar as decisões da comunidade. Porém não podemos confundir democracia com democratismo. Penso que o povo deve decidir quem são os líderes e os líderes devem planejar e definir estratégias e estruturas para alcançar o objetivo da instituição.

Também é muito importante diferenciar a instituição-cristã da igreja-Corpo-de-Cristo. São coisas completamente diferentes. Um pastor de uma igreja é uma autoridade institucional, que pode se tornar (ou não) também autoridade espiritual de acordo com seu relacionamento com seus discípulos.

Não briguei com ninguém. Ninguém brigou comigo. Não fui expulso. Não saí emburrado. Sou amigo de todas as pessoas de quem desde que nasci fui amigo naquela igreja. Amigos são para sempre.

Mas chegou um momento em que eu percebi que as igrejas pentecostais brasileiras, e especialmente a minha igreja natal, vão por um caminho que eu não posso seguir. Foi um processo de alguns anos de amadurecimento destes pensamentos que só agora estou publicando.

O que troquei

Troquei as posições de lidença, o presbitério, os projetos, o inquestionável futuro pastoral que eu tinha, o reconhecimento do trabalho que eu já havia feito, para ir para uma igreja onde não conhecia ninguém, ninguém me conhecia, onde o máximo que faço é cantar no coro, mas onde eu posso viver a espiritualidade que creio com liberdade e sinceridade.

Eu fui para a igreja batista de água branca, onde hoje vivo longe da liderança, longe dos conflitos políticos, longe da administração, e muito perto da comunidade, do corpo, das pessoas que são a ibab.

Ainda chamo o avivamento bíblico de minha igreja, com carinho. Sei que minha raíz pentecostal me acompanhará pela vida toda. Mas hoje estou bem na ibab, onde posso ir para a igreja de bermuda e camisa do meu time e, em vez de ser recriminado, ainda encontrar outros amigos vestidos da mesma maneira ;)

12 Comentários

  1. Fico feliz por ter se achado, e por poder ver sua felicidade.
    Mas aquilo que Deus separou pra você fazer será feito por você.Rs
    Torço sempre pelo seu sucesso
    Seu irmão, claro!!!

    Henry - 22/12/2006 às 4:02 pm
  2. Acho que foi um ato de coragem, afinal toda sua familia frequenta o Avivamento Bíblico, imagino como devem ter te questionado, mas acho ótimo que você tenha conseguido pensar sobre todas estas coisas ( as que compartilhou conosco na parte 1) e chegado a uma conclusão que o fez tomar a decisão de mudar e se sentir feliz. Deus te abençõe sempre. Cleusa Fraga (IAB Rosana ).

    Familia Fraga - 5/01/2007 às 4:28 pm
  3. hé até hoje me doe no coração essa separação mas eu previa um futuro amargo e um crescimento complicado tive que apoiar a contra gosto devido o que sofri na carne espero não me arrepender nunca!

    pastor gilberto - 20/03/2007 às 4:09 pm
  4. No fundo vc sempre soube que a igreja batista era o lugar ideal pros cristãos frequentarem :P e crescerem

    LSD - 1/07/2007 às 4:27 am
  5. AMADO IRMÃO, DANDO UM PASSEIO PELA INTERNET VI O TEU DESABAFO E RESOLVI ENVIAR-TE UM COMENTÁRIO. EU QUERO TE DIZER QUE O IMPORTANTE É SE SENTIR BEM E NA PRESENÇA DE DEUS.NINGUÉM PODE TER NENHUM TIPO DE DESCULPA PARA NÃO SERVIR A DEUS. POIS DEUS TEM EM VÁRIOS LUGARES DA TERRA UM LOCAL APROPRIADO ONDE O PODEMOS CULTUAR. ESSAS QUESTÕES QUE FORAM ELENCADAS NO SEU PROCESSO DECISSÓRIO DE SAIR DA AVIVAMENTO BÍBLICO COM O TEMPO PASSA, POIS JÁ AS VIVI NA AD NO RIO DE JANEIRO E HOJE TEM AD CONSERVADORA E LIBERA, E ESTE PROCESSO TAMBÉM VAI ACONTECER NA AB, POIS NÃO HÁ MAIS LUGAR PARA RADICALISMO, FUNDAMENTALISMO E MENTALIDADE XIITA. NA VERDADE, TEMOS QUE SER RADICAIS COM RELAÇÃO AO PECADO. QUANTO AOS COSTUMES, ESSES PASSAM. SOMENTE A PALAVRA DE DEUS PERMANECE. DEIXO PARA VOCÊ O SALMO 1. FIQUE FIRME E SEJA FIEL. É O DESEJO DO PASTOR E SEU IRMÃO EM CRISTO

    MARIO COUTO BEZERRA - 11/09/2007 às 10:53 am
  6. OLÁ AMADO ESTAVA PROCURANDO POR CARTÕES DE NATAL E VI SEU COMENTARIO DE VIDA,SABE TEM COISAS NA VIDA DA GENTE QUE NAO E POR ACASO E SAIBA QUE EM TUDO NA NOSSA VIDA DEUS TEM UM PROPOSITO DIFERENTE E COM CERTEZA DEUS VAI TE USAR MUITO E ISTO NAO DEPENDE DA IGREJA QUE VC ESTA E SIM DO DEUS QUE VC TEM SERVIDO JESUS E O MESMO O QUE MUDA SÃO OS MODOS DE VIDA OS MILAGRES SÃO OS MESMOS O QUE MUDA E QUEM VAI RECEBER O MILAGRE,FOI UM PRASER TE CONHECER E QUE UM DIA POSSAMOS NOS ENCONTRAR NA GLORIA DO NOSSO PAI UM FORTE ABRAÇO E A PAZ DO SENHOR JESUS.HAAA NAO SE ESQUEÇA JESUS TE AMA DE MAIIISSS!!!!!!!

    fabio - 15/12/2007 às 11:24 am
  7. amado irmão,
    Fico feliz por vc não ter se arrependido, mas o arrependimento soh vem com o tempo e envolvimento ministerial, que me parece será o seu caso, já que percebo que vc é vocacionado para áreas de liderança ministerial. Sou do Avivamneto Bíblico e como vc um dia saí e fui para a igreja batista onde congreguei anos, me formei teologicamente e exerci cargos de liderança e pastorado. Na época, como vc, me surpreendi com a liberdade de expressão que o governo congregacional permite e com a “democracia” que a princípio era perfeitamente correta do ponto de vista do sacerdócio de todo crente. Porém, com o tempo e o envolvimento ministerial percebi que não era bem assim. Tanto um pastor ou líder podem ser tão autoritários e ditatoriais como também um grupo ou uma igreja imatura que tem o direito de tomar decisões. Amadureci, cresci e discerni que não importa o tipo de governo, o que realmente importa é exercer meu chamado, vocação e ministério que Deus me deu, sempre com o objetivo de adorar a Deus e servir à Sua Igreja. Entendo que este amadurecimento virá também a vc e no momento correto vc discernirá o que realmente importa. Minha oração e desejo é que seja um bom servo de Deus aonde estiver e que todo o conhecimento que irá adquirir na ibab seja para abençoar os que precisam deste conhecimento, que talvez não seja lá.
    Em Cristo,
    Magdiel G Anselmo.

    Magdiel G Anselmo - 17/12/2007 às 10:15 am
  8. Olá meu irmão, o que me procupa nas pessoas de hoje em dia é a necessidade de anonimato ou uma pseudo privacidade. Quando se esconde em meio a multidão, como é o caso do irmão, percebe-se claramente a falta de vontade em assumir responsabilidades, especialmente ministeriais. É lamentável que isso ocorra na vida de alguém que foi consagrado a Presbítero pelo mesmo sistema que agora é criticado por ele. Desejo felicidades ao amado irmão e que descubra com o passar do tempo que não existe uma fórmula mágica de governo de Igreja a não ser Dependência de Deus.

    Pr. Nivaldo - 22/02/2009 às 11:51 pm
  9. Nivaldo,

    Não acredito em modelo mágico, mas em modelo democrático. Acredito em dependência de Deus, não em dependência do clero. Você acha que se eu quisesse ou precisasse de anonimato ou privacidade escreveria um blog contando tudo isso? E quem é você para dizer que me falta vontade de assumir responsabilidade? O quanto você me conhece? É lamentável que haja por aí gente tão petulante a ponto de dizer tais coisas a alguém que não conhece.

    []s
    Gilberto Jr

    Gilberto Jr - 23/02/2009 às 1:37 pm
  10. Caro Gilberto:

    Quando li seu blog, imediatamente me identifiquei com sua experiência porque passo por um processo semelhante ao seu ( e, coincidência ou não, estou indo parar na mesma igreja que você atualmente congrega ).

    Entendo um pouco de sua dor, de seu questionamentos, de suas incertezas porque também estou vivendo isso no momento. Tanta coisa deixada para trás ..o que virá pela frente? O que eu vou encontrar? Será que tomei a decisão certa? Será que fui precipitado?

    Muitas questões e poucas respostas, pelo menos neste instante.

    Uma coisa porém eu sei : que os dons e a a vocação de Deus são sem arrependimento( Rm 11:29 ). Também sei que Deus é o Deus da Graça. Se Deus tem um chamado para você ( e certamente Ele tem, só nos resta descobrir qual é) Ele vai realizar este chamado.

    Nós, que somos filhos de Deus, somos todos peregrinos nesta terra e levados pelo Espírito Santo para onde Ele bem entender para que a Glória de Deus seja manifesta a todos os seres humanos, levando-os ao arrependimento e à reconciliação através do sacrifício de Jesus.

    As vezes, Deus precisa nos colocar quietos em algum lugar por algum tempo, para que possamos ouvir a Sua voz e termos mais intimidade com Ele.

    Deus não se impressiona com os nossos títulos, cargos ou funções. Até o fato de dizermos que “estamos trabalhando para Deus” deve ser encarado humildemente -como uma concessão divina muito misericordiosa – e não com orgulho de nossa parte porque o Senhor pode fazer a Sua obra perfeitamente sem nossa ajuda, com nossa ajuda ou apesar de nossa ajuda.

    Mais interessado naquilo que podemos fazer, Deus está interessado em nosso coração, porque mesmo aquilo que fazemos para Ele e em Seu Nome depende inteiramente de Sua Graça, de Sua capacitação e de Sua direção.

    A próprias pessoas que fundaram a igreja de onde você saiu, um dia também tiveram de se desligar da igreja onde eles foram membros ( e líderes, por sinal ). Eu conheço muito bem a história, porque fui membro da igreja de onde saiu o IEAB.

    Quero deixar-lhe um grande e fraternal abraço e dizer que entendo você. Não se preocupe com o que vier pela frente e nem com o que você deixou para trás. Não sinta culpa ou medo, Jesus levou toda a nossa culpa. Deus, nosso Pai tem muito mais interesse em nós do que nós em nós mesmos.

    MARCOS FERREIRA - 19/05/2009 às 3:58 pm
  11. E aí, Júnior, blz?

    Enquanto escuto um pouco o Ed (orientado pelo Henry, pois não o conhecia, mas só de nome) li um pouco das suas linhas.
    Concordo com muito o que você disse.
    Apenas queria dar um reve pitaco de quem fez um caminho inverso ao seu, no sentido da espiritualização: Nasci presbiteriano, cresci espírita, adolesci (neologismo puro) ateu, amadureci cristão.
    Não vejo tanta amarra no Avivamento, talvez pq ao estudar tantas coisas (McLuhan, Eco, Marx, Webber e quetais, exigidos para que eu me tornasse um jornalista-sociólogo-professor de português), percebi que, queiramos ou não, somos um pouco de um algum segmento de mercado, mesmo que seja aquele dos que (como eu tento ser) seja o dos que não se achem assim.
    E é bom que nós, que pensemos uma igreja moldada levando em conta a opinião dos crentes, e não só do seu líder, tomemos para nós a luta inglória de começar esta mudança.
    No entanto, vale ressaltar que não será sempr possível que a maioria decida 100% tudo, haja vista que ela pode decidir o rumo, mas os caminhos por onde este rumo será tomado, muitas vezes será mostrado por alguém que lute para desenvolver a visão para isso (claro, de modo o mais idôneo possível – e é aqui que vejo aimnportância da busca de uma comunhão com Deus). Esse é, acho eu, o papel de um pastor: não o de manipular, mas o de facilitar que as gentes consigam servir ao Pai de um modo honesto e duradouro.
    Muitas vezes, sofreremos com isso, pois poderemos ser vistos por uma ótica ruim, mas esse é o mal de todo professor, e nem por isso, deixamos de existir..
    Graça, Paz e amor em sua vida, irmão!
    Te espero na Vila Galvão!
    Paulo – trompetista da Vila Galvão

    Paulo Masson - 28/06/2011 às 1:32 am
  12. Paulo,

    Obrigado pelo comentário! Prazer em conhecê-lo.

    Escrevi este artigo em 2006. Ele é raso e bastante incompleto. Hoje eu acredito que a Igreja, ou seja, o Reino de Deus, está em nós e entre nós, independentemente dos detalhes institucionais ou teológicos desta ou aquela denominação. Estes “detalhes” são importantes, é claro, mas hoje eu procuro me preocupar muito mais com os 99% que nos unem do que os 1% que nos separa.

    Procuro ir ao vila galvão sempre que posso, quando eu for lá espero conhecer você.

    Paz,
    Gilberto

    Gilberto - 28/06/2011 às 3:18 pm

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